Sem-terra bloqueiam Incra no Recife e reclamam do descaso

Depois de passarem a noite no prédio do Incra no Recife para protestar contra o descaso da entidade com o grupo agrário, cerca de 200 integrantes do Movimento Trabalho, Terra e Liberdade (MTL) ainda bloqueavam o local na manhã desta quarta-feira, 11. No início da jornada de trabalho, os funcionários e a superintendente do Incra foram impedidos de entrar na sede da capital pernambucana.Na última terça-feira, 10, a superintendente Maria de Oliveira tentou negociar a desocupação, porém, sem sucesso. "Nós não vamos sair do prédio", disse Roberto Ramirez, membro da coordenadoria estadual do MTL. "A gente está disposto a tudo, não temos nada a perder."Os manifestantes reclamam do descaso do Incra com suas reivindicações. O coordenador nacional do MTL, Róbson Brandão, explica que desde 2003, quando Maria assumiu o Incra, o movimento não teve nenhum pedido atendido.?Ela usa o aparelho policial do Estado para reprimir uma ação legítima pela qual ela é responsável, devido à sua inoperância e incompetência em responder à nossa pauta.?Na manhã desta quarta, a superintendente conversou com um dos militantes do MTL e aceitou não interferir nas negociações do MTL com ouvidor agrário nacional do Incra, Gercino da Silva, o qual deve chegar ao Recife nesta tarde.Impossibilitados de entrar no trabalho, cerca de 150 funcionários do Incra foram liberados.ReclamaçõesA superintendente disse que a maior reclamação do MTL é a liberação de recursos para convênios de assistência técnica. Ela argumentou que quando assumiu o cargo já havia uma proibição da Justiça Federal para a realização de convênios com a entidade representada pelo MTL, por causa de denúncia de desvio de dinheiro. ?Tenho minha consciência tranqüila.?Ainda na terça, Maria dispensou os funcionários e entrou com ação de reintegração de posse, da qual ela ainda espera a aprovação judicial.?É uma situação complicada para o meu currículo, mas não me deram alternativa?, afirmou Maria, ex-ouvidora agrária nacional e vice-presidente da Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo.Na sua avaliação, a mobilização do MTL é política e tem como pano de fundo a briga por cargos. Maria é filiada ao PSB e avalia que o MTL age em conjunto com a tendência do PT Democracia Socialista (DS) - a mesma do ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel.O presidente do diretório municipal do PT, Oscar Barreto, da DS, negou a acusação e disse que Maria quer ?estigmatizar? o MTL para fugir da sua responsabilidade como gestora.O Movimento dos sem-terra (MST) estadual promete mobilizar 5 mil pessoas neste mês para protestar contra a lentidão da reforma agrária e a impunidade no campo. Os sem-terra tradicionalmente intensificam as ações este mês, aniversário do massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará, que completa 11 anos. Em 17 de abril de 1996, 19 sem-terra morreram em conflito com policiais militares.O MST informou ter feito duas ocupações dentro da jornada nacional de luta pela reforma agrária, o ?abril vermelho?. As invasões ocorreram na segunda-feira, em Bonito e Açucena, com participação de 400 famílias.Matéria ampliada às 09h20 para acréscimo de informações

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