Sem-terra bloqueiam duas estradas em Alagoas

Mais de mil trabalhadores rurais sem-terra, ligados do Movimento Terra, Trabaho e Liberdade (MTL), bloquearam hoje duas rodovias em Alagoas, em protesto contra o atraso na desapropriação de áreas destinadas à reforma agrária e pela liberação de cestas básicas para cerca de 30 acampamentos, com mais de 1.700 famílias. Cerca de 600 sem-terra bloqueiaram um trecho da BR-101 Norte, nas proximidades do município de Flexeiras, situado a 61 quilômetros de Maceió. Eles exigem 1.200 cestas básicas que não foram entregues pela superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária ( Incra).Um outro grupo, com cerca de 400 sem-terra, interditaram um trecho da AL-101 Norte, na entrada do município de Matriz de Camaragibe, a 75 quilômetros de Maceió. O congestionamento de carros nessa área só não foi maior, porque os motoristas usaram um desvio numa estrada de barro.A assessoria do Incra em Alagoas informou que o atraso na entrega das cestas básicas foi causado pela análise laboratorial dos produtos que iriam ser distribuídos. Hoje, quatro itens já foram liberados para consumo e o Incra pediu cestas de emergência à Ouvidoria Agrária Nacional a fim de conter os protestos.Os trabalhadores disseram que só aceitariam as cestas básicas completas, com todos os 12 itens. Segundo Rafael Simões Carlos, da coordenação do MTL em Alagoas, a cesta básica emergencial que o Incra quer liberar contém apenas farinha de mandioca, arroz, macarrão e açúcar. "Essa cesta emergencial não resolve a fome do nosso pessoal", reclamou.Até o início da noite, os sem-terra mantinham os dois trechos bloqueados e diziam que as interdições seriam por tempo indeterminado. No final da tarde, o superintendente substituto do Incra em Alagoas, Marcos João, esteve no trecho de Flexeiras, para pediu para que os sem-terra desbloqueassem a rodovia, mas não foi atendido.Entre as áreas que os sem-terra reclamam de demora do processo de desapropriação está a fazenda Belo Horizonte, que pertence ao ex-governador Geraldo Bulhões e vem sendo disputada há quase 10 anos. Segundo Rafael Simões, a questão está na Justiça Federal, porque a usina Porto Alegre alega ser dona de uma parte da fazenda e até agora o Incra não conseguiu provar o contrário.

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