Sem-terra armam bloqueio na entrada de fazenda em MT

Líder do sindicato dos trabalhadores rurais diz que área é objeto de desapropriação

Chico Siqueira, do Estadão,

01 de outubro de 2007 | 21h06

Cerca de 100 famílias de sem-terra ocupou na manhã desta segunda-feira, fazenda Ipê, em Castilho (SP), na divisa com Mato Grosso do Sul, e impediu que caminhões e funcionários entrassem na fazenda para recolher cerca de 2 mil toneladas de cana que seriam processadas numa usina da região. Os caminhões chegaram pela manhã, mas um bloqueio armado pelos sem-terra na porteira da fazenda impediu a entrada dos veículos. Os sem-terra, que foram recrutados em acampamentos da região pelo Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Sintraf), dizem que vão proibir a colheita e a retirada de aproximadamente 30 mil toneladas de cana que estão plantadas, colhidas ou prontas para colher, em 300 dos 978 hectares da fazenda. De acordo com José Carlos Bossolan, líder dos sem-terra e diretor do Sintraf, a medida serve de protesto contra a demora da Justiça Federal em liberar a área para reforma agrária.  Segundo ele, a cana foi plantada em arrendamento quando a fazenda já era objeto de desapropriação para reforma agrária. Em 2002, a propriedade foi declarada improdutiva; em 2003 o Incra depositou R$ 4,8 milhões pela desapropriação, que foi contestada pelos proprietários. Os sem-terra se dizem revoltados porque o Tribunal Regional Federal (TRF) de São Paulo estaria demorando em julgar o caso. "O processo espera uma decisão do TRF desde 2004", diz Bossolan. Segundo ele, os sem-terra só vão deixar a propriedade quando o TRF colocar o caso na pauta e marcar uma data para o julgamento. "Essa situação é ruim tanto para nós, quanto para os proprietários", diz.  O proprietário da área, Octávio Junqueira Leite de Moraes, não foi localizado para comentar o assunto. Na região há 13 propriedades esperando a Justiça imitir o Incra na posse. As áreas - ajuizadas desde 2002 ao custo de $ 89 milhões - totalizam 15,6 mil hectares, suficientes para receber o assentamento de 966 famílias.

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