Sem-terra ameaçam lotear fazenda Timboré, em SP

Cerca de 150 militantes do MST (Movimento Sem Terra) ameaçam lotear a partir de amanhã a fazenda Timboré, em Andradina,invadida por 58 famílias há 21 dias. Hoje, os sem-terra cortaram o cano que levava água encanada para as famílias de colonosque permanecem na fazenda. O caseiro Manoel Ferreira da Silva, disse que os militantes afirmaram que vão dividir a propriedadepor conta própria se a Justiça não imitir o Incra na posse da área. "Vamos conversar com eles para saber se eles podem liberar a água para gente", diz. É a sétima invasão da Timboré neste ano. Com 796 hectares, a fazenda está com todas atividades paralisadas desde meadosde junho, na penúltima invasão. Em 2 de julho, o Incra depositou R$ 4,5 milhões em juízo para a desapropriação das terras, masnão desembolsou outros R$ 500 mil necessários para a compra das benfeitorias. A Justiça ainda não decidiu sobre o pedido de reintegração de posse feito pelo fazendeiro Frederico Moraes há 15dias. A invasão, segundo o gerente da fazenda, Antônio Marcos Vasco, atrasou o preparo do solo e, por isso, vai cancelar oplantio de soja previsto para setembro. "Vamos sofrer um prejuízo de R$ 230 mil com a falta deste plantio", disse Vasco.Segundo ele, Moraes tentou levar máquinas para preparar o solo na fazenda, mas foi impedido pelos sem-terra, que ameaçarampôr fogo nos equipamentos. "O que iríamos fazer? Criar um conflito maior?", diz Vasco. Segundo ele, além do prejuízo com a soja, o fazendeiro está sendo obrigado a pagar arrendamento de pasto para 300 cabeçasde gado, num prejuízo de R$ 20 mil mensais. Durante a penúltima invasão, em junho, os sem-terra expulsaram as famílias dafazenda e arrancaram cercas, soltando 1.100 cabeças de gado para estrada. Parte do gado foi vendida e outra, transferida paraoutra fazenda da família em Orlândia (SP).As 300 restantes estão em uma fazenda arrendada na zona rural de Andradina. "Não sabemos mais o que fazer. A Justiça não nos concede a reintegração porque está em greve e, enquanto isso,acumulamos prejuízos dos quais certamente não seremos ressarcidos nunca", diz Vasco.

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