Sem-terra agora propõem trégua e negociação no Pontal

O líder dos sem-terra no Pontal do Paranapanema, José Rainha Júnior, propôs nesta quinta-feira uma trégua nas invasões e defendeu ampla negociação entre os governos estadual e federal, o MST e lideranças ruralistas, com a participação da Igreja, para dissipar as tensões na região. "Estamos abertos ao diálogo para buscar um entendimento." A mudança de tom no discurso de Rainha ocorreu um dia após o encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com lideranças do MST, em Brasília. Ainda na segunda-feira, Rainha falava em sair em marcha para ocupar praças em Presidente Prudente. "Não há ocupação, nem promessa de ocupação, o que há é promessa de diálogo." Segundo ele, o presidente mostrou que está disposto a fazer a reforma agrária. Ele disse que a falta de dinheiro para um número maior de assentamentos este ano não impede o avanço nas negociações. "O presidente Lula pode apresentar um cronograma de médio e longo prazo." Enfatizando que não está autorizado a falar pelo MST, Rainha prometeu que as 3.600 famílias inscritas no seu acampamento não farão invasões. "Vamos ter paciência e esperar."Apesar do tom ameno, Rainha criticou a minuta do projeto de regularização fundiária do Pontal entregue pelo secretário de Justiça Alexandre Moraes ao governador Geraldo Alckmin. "É tão ruim que nem a UDR (União Democrática Ruralista) gostou." Segundo ele, embora governador se preocupe em promover o entendimento na região, o secretário está seguindo "na contramão" ao propor a investigação dos acampamentos. "Estamos de portas abertas, ele pode ter acesso a todos os cadastros e entrar nos barracos."

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