Sem-terra agem como ladrões e nada acontece, diz fazendeiro

Irritado com a invasão e ocupação há cinco dias de sua fazenda por 800 agricultores ligados ao Movimento dos Sem-Terra (MST), em Eldorado do Carajás, no sul do Pará, o pecuarista Evandro Mutran afirma que a propriedade é altamente produtiva. E desabafa: "Ao arrepio da lei, eles invadem e usurpam a propriedade, agem como vândalos e ladrões, e não acontece nada ". A fazenda Peruano, de 12 mil hetares, localizada no km 80 da rodovia PA-150, não serve para a agricultura, só para pecuária, diz Mutran. Lá dentro estão 17,5 mil reses e cerca de cinco mil delas são consideradas top de raça, o Puro de Origem (PO), de alto valor comercial. "Uma vaca PO custa 30 vezes mais que uma comum", diz o pecuarista. "Só este mês devem nascer 5 mil bezerros e vou ter que tirar tanto as crias quanto as vacas, porque não tenho pasto para tantos animais". Mutran ingressou com liminar de manutenção de posse e espera a manifestação da Justiça. A advogada Marli Froncheti, defensora do fazendeiro, disse estar temendo que a sede da fazenda e residências dos empregados sejam depredadas pelos sem-terra. Ela contou que um homem conhecido por "Fogoió", acostumado a incendiar e destruir sedes de fazendas na região, teria sido visto na segunda-feira no acampamento do MST. Froncheti registrou queixa na polícia. O MST informou que seus agricultores não pretendem sair da fazenda. Ele quer que o Incra de Marabá desaproprie o local para o assentamento das famílias.

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