Sem-terra acampam perto de áreas do Reverendo Moon

Cerca de 2.500 famílias de sem-terra ligadas ao Movimento dos Sem-Terra (MST) estão montando acampamentos em frente das entradas das principais fazendas que são propriedades da Associação para Unificação das Famílias e Paz Mundial, presidida pelo norte-coreano, Sun Myung Moon, o Reverendo Moon. São 17 áreas distribuídas em pontos turísticos do Pantanal de Mato Grosso do Sul, das quais apenas uma foi considerada produtiva pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). É a Fazenda Aruanã, situada no município de Bonito, que está ocupada há um mês pelo MST. Desde a semana passada até hoje foram montados acampamentos nas fazendas Rodeio, Jacutinga e Nossa Senhora Aparecida, que juntas somam 4.800 hectares, a 16 quilômetros do centro da cidade de Miranda. O plano dos sem-terra é cercar todas as 17 áreas com acampamentos e aguardar a desapropriação, para ocupar cada uma delas, segundo garantem os líderes dos acampados. Somente em frente da Fazenda Rodeio, existem 1.300 barracas de lona plástica, numa extensão de dois quilômetros, fechando toda a frente da propriedade rural. As 17 fazendas, são parte de um total de 56 que somam 83 mil hectares, adquiridos pelo Reverendo Moon no Pantanal. O procurador da associação, Neldir Simão Feraboli, explica que nem todas as áreas rurais pantaneiras da associação, são consideradas fazendas. "Nós temos propriedades que envolvem seis mil metros quadrados, são pequenas chácaras". A organização que tem sede estadual na cidade de Jardim, no Pantanal, alertou as autoridades sobre a incômoda e "perigosa" presença dos sem-terra. Lembrou que as vistorias do Incra em suas 17 fazendas foram contestadas, com base em levantamentos realizados por técnicos contratados. Está aguardando decisão judicial sobre o assunto. No setor de Conflitos Agrários do Incra, as informações são de que o movimento é pacífico e não deverá causar problemas. Na próxima semana, funcionários do Incra iniciarão o cadastro das 2.500 famílias de acampados, como vem fazendo desde junho último. Já foram cadastradas 12.930 famílias em 100 assentamentos existentes em 52 municípios de Mato Grosso do Sul. O trabalho de cadastramento "in loco" começou logo depois do cancelamento desse procedimento através dos Correios.

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