Sem-terra acampam na sede do Incra em Recife

Cerca de 500 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) estão acampados no pátio interno da sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), no Recife, desde ontem, como forma de pressionar a negociação de uma extensa pauta de reivindicações, que vai de vistorias de terra a aumento de crédito para o assentado. Os sem-terra invadiram o local levando fogão, colchões e mantimentos. "Não temos pressa", afirmou o líder do MST Jaime Amorim. "Só saímos com um cronograma de ações a serem cumpridas pelo Incra até o final do ano".O expediente está suspenso desde a manhã de ontem. O superintendente regional do órgão, Geraldo Eugênio, que chegou hoje de uma viagem a Brasília, disse que só dialoga com os sem-terra com o prédio desocupado, mas está tentando uma saída pacífica, sem a necessidade de intervenção policial. Ele decidiu não pedir, por enquanto, reintegração de posse do imóvel, localizado no bairro dos Aflitos.Uma das prioridades do MST é a assistência feita por técnicos contratados pelo Incra nos 114 assentamentos comandados pelo movimentos. Decreto de desapropriação de 34 áreas e emissão de posse de outras 23 são outras das reivindicações.Geraldo Eugênio adiantou que muitos itens da pauta do MST podem ser discutidos, mas descartou a possibilidade de acatar pedidos que não dependem do Incra regional - a exemplo do aumento do teto do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) de R$ 12 mil para R$ 25 mil por família. Ele disse também estar fora de cogitação a reivindicação de crédito para assentamentos que estão sendo investigados pela Polícia Federal por desvio ou má aplicação de verba do Procera, programa que foi substituído pelo Pronaf. Segundo o superintendente, cinco assentamentos que receberam recursos em 1999 e 2000, situados no Agreste de Pernambuco estão nessa situação -Macambira Borba e Normandia, em Caruaru; Riachão e Serra dos Quilombos, em Bonito; e Várzea Grande em Gravatá.

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