Sem-terra acampam na frente da sede do Incra em Fortaleza

Cerca de 300 pessoas entre integrantes do MST, do Movimento dos Pequenos Agricultores e da Comissão Pastoral da Terra (CPT) estão acampados na frente da sede do Incra, em Fortaleza. A manifestação faz parte das ações da Jornada Nacional de Lutas dos Trabalhadores Rurais, promovida pelo MST. São homens, mulheres grávidas, crianças e idosos do interior do Estado, divididos em pequenas barracas de lona e papelão montadas nos canteiros centrais da Avenida José Bastos. "Se com todo esse sacrifício não conseguimos que encaminhem nem a metade das nossas reivindicações, imagine se ficássemos de braços cruzados lá no sertão, passando fome", disse Vilanice Oliveira, integrante da direção nacional do MST.Manifestações como esta têm sido constantes no Ceará. Em abril, houve um protesto semelhante e, de acordo com Vilanice Oliveira, nenhuma das promessas feitas pela direção do Incra foi cumprida. Os sem-terra pedem assentamentos para todas as famílias acampadas no Ceará, cestas básicas e liberação de crédito emergencial para as famílias já assentadas, renegociação de dívidas e recursos para alfabetização de jovens e adultos dentro dos acampamentos além de assistência técnica.De acordo com Vilanice, o acampamento não tem data para acabar. "Muitos estão com o nome no SPC por causa das dívidas. Desta vez, só sairemos depois de ser atendido pelo menos 80% da nossa pauta", disse a representante do MST.O superintendente regional do Incra no Ceará, Francisco Clerson Dias Montes, garantiu que algumas das reivindicações já estão sendo executadas, como a licitação para a liberação de R$ 22 mil em cestas básicas para famílias assentadas e também a regularização das áreas repassadas pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs).Ele prometeu colocar em andamento o processo de assentamento das famílias acampadas. Quanto às renegociações de dívidas e projetos na área de educação e saúde, o superintendente afirmou que não são da competência do Incra.

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