Sem-terra acampam em frente a agências do BB no Paraná

Integrantes do MST pedem renegociação de dívidas; movimento denuncia ameaça em áreas da Syngenta

Evandro Fadel, do Estadão,

24 de julho de 2007 | 19h19

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) iniciaram nesta terça-feira, 24, uma série de protestos em frente a agências do Banco do Brasil no Paraná, que deve se estender por toda a semana, para marcar o Dia do Trabalhador Rural, comemorado nesta quarta-feira.   Segundo o movimento, cerca de 5 mil famílias estão mobilizadas e as manifestações já se estendiam por 13 municípios. Em Apucarana, no norte do Estado, a central da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) foi escolhida para o protesto. A assessoria do Banco do Brasil informou que nenhuma agência chegou a ser invadida nem os clientes foram impedidos de entrar.   Os sem-terra divulgaram uma carta, em que colocam as principais reivindicações. Entre outras, está a renegociação das dívidas de custeio e investimento, com prazo de carência de cinco anos, além de 20 anos para pagamento, sem juros.   Querem também uma política pública que garanta a compra da produção na quantidade de 70% da atividade principal da família assentada, com preço 30% acima do custo de produção.   A entidade ainda reclama de um suposto "abandono" da reforma agrária, dizendo que não foi dada importância à infra-estrutura nos assentamentos, prejudicando o armazenamento e escoamento da produção.   Syngenta   Além dos protestos nas agências do BB, o MST denunciou que seguranças da Estação Experimental da Syngenta Seeds, em Santa Tereza do Oeste, a cerca de 520 quilômetros de Curitiba, deram tiros e fizeram ameaças às famílias que saíram da área no dia 18. Elas estão no Assentamento Olga Benário, que fica nas proximidades da área da Syngenta. Um boletim foi registrado na delegacia, mas a polícia ainda aguarda testemunhas.   O gerente de Relações Institucionais da Syngenta, Guilherme Landgraf, disse que, desde a reintegração de posse, 24 pessoas de uma empresa registrada na Polícia Federal fazem a segurança da propriedade. Mas, por contrato, elas estão proibidas de usar armas ou cães.   Segundo Landgraf, a empresa sempre teve segurança, mas não armados. "Nas duas vezes em que a unidade foi invadida, nunca houve resistência, com a empresa buscando os direitos na Justiça", acentuou.   O presidente da Sociedade Rural do Oeste do Paraná (SRO), Alessandro Meneghel, que esteve na propriedade, disse que a denúncia é "mentirosa". Segundo ele, os sem-terra deixaram muito prejuízo para as pesquisas genéticas, além de destruição ao patrimônio da empresa e ao meio ambiente, com corte de árvores. "É uma vergonha ver o que fizeram", afirmou.   A Syngenta aguarda dados de levantamento feito pelo Ibama sobre as condições da propriedade após a invasão que durou 16 meses.   O MST negou qualquer destruição ou crime ambiental, alegando que as acusações fazem parte de uma "campanha de criminalização" do movimento. "Desde que chegaram na área, os camponeses transformaram o cenário do local, trabalhando na recuperação do solo contaminado pelos transgênicos e restabelecendo a biodiversidade com a produção de sementes crioulas, em sistemas agroecológicos", disse a entidade. Segundo os sem-terra, foram plantadas 3 mil mudas de árvores nativas no local.   São Paulo   Pelo menos 150 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-terra (MST) ocuparam, nesta terça-feira, 24, a área da Fazenda São João (apelidada de Da Barra 2), em Ribeirão Preto. A área, com plantio de cana, está localizada ao lado Da Barra, que foi desapropriada pelo governo federal e a Justiça concedeu, em maio último, a imissão na posse para a reforma agrária.   Mais de 600 famílias, entre integrantes do MST e do Movimento de Libertação dos Sem-terra (MLST), estão na Da Barra esperando a fase final para a instalação de um assentamento. A ocupação desta terça integra a Jornada Nacional de Lutas do MST, que irá até sexta-feira em todo o País.   (Colaborou Brás Henrique, do Estadão)

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