Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Sem 'sintonia' com PSDB, DEM ameaça apoiar rivais de tucanos

Dirigentes temem esvaziamento do partido e afirmam que foram 'sufocados' pelo antigo aliado

Erich Decat, Agência Estado

17 de outubro de 2013 | 16h36

Brasília - Descontentes com um cenário em que deve preponderar a falta de apoio nos Estados a possíveis candidatos em 2014, integrantes do DEM começam, nos bastidores, um processo de discussão de afastamento do PSDB, que pode ter impacto na aliança nacional.

O debate atual passa pela avaliação de que, assim como ocorreu nas eleições anteriores, o partido não contará com o respaldo dos tucanos para candidaturas que fortaleçam nomes do DEM.

Atingido por um esvaziamento da bancada da Câmara nos últimos três anos, parlamentares da sigla lutam pela sobrevivência e traçam como objetivo para 2014 a tentativa de reeleger o maior número possível de deputados. "Regionalmente não está havendo sintonia. Há dificuldades", resume o deputado Mendonça Filho (PE), um dos vice-presidentes da legenda.

Nesse cenário de dificuldades e busca para resistir na esfera política nacional, alguns integrantes da legenda não descartam alianças com o PT. "Nossa prioridade é a questão regional. Não está proibido nem aliança com o PT. O PSDB que não ache que não temos outras alternativas de apoio", afirma o ex-presidente do DEM, deputado federal Rodrigo Maia (RJ).

O sentimento de parte da executiva da legenda, ouvida pelo Broadcast Político, é de que o cenário de 2014 será diferente do de 2010. Nas últimas eleições, o DEM ainda tinha como um dos principais expoentes o ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que criou o PSD em 2011, atualmente na órbita do governo Dilma.

A ligação de Kassab com o ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) em 2010 serviu como uma "âncora" na relação entre os dois partidos. Com a saída de Kassab, as "amarras" do passado não existiriam mais.

Diante da dificuldades de relação entre as duas legendas em Estados como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Goiás, atualmente, segundo cálculos de integrantes do DEM, não há maioria para apoiar uma candidatura do atual presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), à presidência da República.

Um dos poucos a defender a aliança seria o presidente nacional do DEM, senador Agripino Maia (RN), visto internamente até como potencial candidato a vice do tucano. Em recentes declarações, Maia, entretanto, ressalta que qualquer posicionamento neste momento seria precipitado.

Com um afastamento do PSB após o episódio constrangedor em que o governador Eduardo Campos desautorizou aliança do PSB com líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), também ganhou força a possibilidade da candidatura própria à Presidência, e consequentemente a não concessão do tempo de TV da legenda a nenhum dos pré-candidatos colocados até aqui.

Essa alternativa, entretanto, ainda é embrionária e dependeria de respaldo em pesquisas eleitorais. Mas ela também serve para o partido como forma de barganhar o fortalecimento das alianças nos Estados.

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