Sem Serra, Alckmin busca acordo com DEM

Na definição de nome tucano em São Paulo, governador tenta evitar ser refém do PSD; ex-governador, porém, admite acordo com sigla do prefeito

Julia Duailibi e Malu Delgado, de O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2012 | 22h30

Sem a entrada do ex-governador José Serra na disputa pela Prefeitura de São Paulo, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) investirá na aliança com o DEM para não se tornar refém do acordo eleitoral proposto aos tucanos pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD).

 

A proposta de lançar o vice-governador Guilherme Afif Domingos como candidato a prefeito pelo PSD, tendo um nome do PSDB na vice, ganhou força entre aliados de Serra. Ontem o Estado divulgou que o ex-governador já avisou à cúpula do partido que não será candidato na eleição. Até então nome mais forte na disputa, ele pretende disputar a Presidência em 2014.

 

Os aliados do ex-governador veem com bons olhos a candidatura do secretário da Cultura, Andrea Matarazzo, que quer disputar prévias no PSDB, mas trabalham ainda pelo acordo proposto por Kassab, que prevê também o apoio do prefeito à reeleição de Alckmin em 2014. A avaliação é que a aliança com o PSD dará discurso para o candidato tucano, qualquer que seja ele.

 

O governador vê com desconfiança o acordo e quer garantir o apoio do DEM para não ficar dependente da aliança com o PSD. Segundo apurou o Estado, Alckmin avalia que, sem Serra e sem a aliança com o DEM, crescerá a pressão para que aceite os termos do acordo com Kassab.

 

A prioridade de Alckmin, adiantam aliados próximos, é a aliança com o DEM e não com o PSD de Kassab, o que é defendido pelo grupo próximo a Serra.

 

A razão é pragmática, não ideológica: o DEM, além de parceiro histórico, tem tempo de televisão. Kassab, desgastado pelos altos índices de desaprovação à sua gestão, não pode oferecer esse ativo eleitoral ao PSDB, pois o PSD não entrará na partilha dos minutos do horário eleitoral gratuito com os demais partidos.

 

Em conversas reservadas, o governador fez chegar ao comando do DEM essa avaliação. Alckmin tenta agir rápido enquanto observa o jogo de sedução iniciado pelo PMDB aos integrantes do DEM. O vice-presidente da República, Michel Temer, já ofereceu a vice na chapa do deputado Gabriel Chalita, pré-candidato do PMDB à Prefeitura, ao DEM.

 

Lideranças do DEM disseram ao governador que o partido não ficará refém de Kassab e que, se for para evitar Afif candidato, haverá aliança com o PSDB. O DEM, no entanto, vai esperar o resultado das prévias tucanas - quem será o candidato e com qual força sai do processo - para bater o martelo sobre a aliança.

 

Sobrevivente na oposição e abalado pela criação do PSD, o DEM não tem dúvidas de que, num eventual segundo turno entre PSDB e PT, Temer não terá outra opção a não ser unir-se à campanha do petista Fernando Haddad. "E o DEM vai entrar na campanha do PT em São Paulo?", indaga um líder da sigla.

 

Alckmin disse na quinta-feira, 19, que respeitará a decisão de Serra de não disputar a eleição, "se essa for uma posição definitiva". "Candidatura é fruto de vontade e é fruto também de apoio coletivo." / COLABOROU GUSTAVO URIBE

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