Sem Renan, líder do governo tenta trégua com oposição

Romero Jucá reúne-se com representantes do DEM e PSDB para tentar desobstruir pauta e aprovar CPMF

Cida Fontes, do Estadão

24 de setembro de 2007 | 13h49

Sem a presença do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), se reunirá nesta terça-feira com representantes da oposição para tentar uma trégua.  "Qualquer acordo passa pela votação da proposta que acaba com o voto secreto para cassação de mandatos", afirmou o líder do DEM, senador José Agripino (RN), ao se referir à proposta de emenda constitucional (PEC) que torna também aberta a votação de nomes indicados pelo Executivo para embaixadas e tribunais superiores, que é secreta. A oposição condiciona um eventual entendimento ao compromisso da base aliada de votar também outros dois projetos. O primeiro estabelece a sessão aberta para o julgamento de perda de mandato, que já está pronto para votar, a exemplo da PEC.  O outro prevê o afastamento automático em cargos na Mesa Diretora, corregedoria e presidência de comissões do senador que estiver com processo no Conselho de Ética. As duas propostas são polêmicas. Os aliados de Renan temem represálias e não aceitam que seus os processos envolvendo o peemedebista sejam votados em sessão aberta. O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), relator na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do projeto que obriga o acusado a se afastar de cargos no Senado até à conclusão do processo, disse que a nova regra não seria aplicada a Renan. Só passaria a vigorar para os casos que surgirem após a aprovação."É um projeto correto e moralizador. Não é um gesto pequeno para atingir a ou b", afirmou o senador, que apresenta seu parecer nesta quarta-feira. "Precisamos votar o que interessa para que o Senado saia do fundo do poço", completou.  A estratégia da oposição de obstruir o plenário visa desgastar e isolar politicamente Renan. Ao mesmo tempo mantém o clima de tensão para levar o Planalto a pressionar Renan a se licenciar da presidência. Os aliados do governo querem retomar o diálogo com a oposição antes da chegada ao Senado da emenda que prorroga a Contribuição Provisória de Movimentação Financeira (CPMF). O encontro entre Jucá e os líderes do PSDB e DEM será o primeiro formal desde que a oposição decidiu não participar mais de reuniões convocadas por Renan. Caso Pagot  Jucá poderá ter dificuldades para convencer a oposição a desobstruir a pauta. Mas ele tem um trunfo: senadores do DEM têm interesse na aprovação do nome de Luiz Antonio Pagot para o comando do Departamento Nacional de Infra-estrutura em Transportes (DNIT), que é o primeiro item da pauta. Ou seja, essas indicações só poderão ser votadas com o fim da obstrução. Pagot é suplente do senador Julio Campos (DEM-MT) e já trabalhou no gabinete do senador Jonas Pinheiro (DEM-MT) e ambos pressionam a favor do amigo. Na semana passada, Renan Calheiros buscou nas dificuldades de aprovar o nome de Pagot um pretexto. "A culpa da obstrução não é minha, mas do Pagot", comentou com colegas. O senador José Agripino não pretende fazer um acordo para retirar a indicação do DNIT da pauta, mesmo porque isso não agradaria os dois senadores de Mato Grosso, que já estão sendo assediados pelo governo, que deseja ampliar sua força no Senado. Outra forma de Jucá atrair o DEM para desobstruir o plenário é inverter a pauta com o objetivo de votar primeiro o nome de Paulo Lacerda, deixando Pagot para um momento político menos tenso.  O senador Romeu Tuma (DEM-SP) trabalha para aprovar a indicação de Lacerda, que foi seu assessor. Tuma é outro alvo de cooptação do governo. O vice-presidente José Alencar já ofereceu o PRB, estendendo o convite aos senadores Edison Lobão (DEM-MA) e Demóstenes Torres (DEM-GO).

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