Sem quórum, CPI da Petrobrás do Senado cancela reunião pela quinta vez

Colegiado, formado por maioria governista, tentaria votar requerimentos, mas apenas três parlamentares compareceram

Ricardo Brito, O Estado de S. Paulo

19 de novembro de 2014 | 10h55

Brasília - A CPI da Petrobrás do Senado cancelou, por falta de quórum, reunião marcada nesta quarta-feira, 19, para tentar votar requerimentos. Na pauta, constavam 32 itens para serem analisados, a maioria deles de pedido de acesso a informações da estatal e de empresas envolvidas no escândalo de corrupção. Desde julho, a comissão tenta se reunir sem sucesso. Essa é a quinta vez que a comissão não tem quórum suficiente para iniciar os trabalhos.

O presidente da CPI, Vital do Rêgo (PMDB-PB), chegou a esperar 30 minutos para tentar garantir a presença mínima de sete dos 13 integrantes da CPI para abrir a sessão de votação dos requerimentos. Mesmo sendo formada em sua maioria por governistas, apenas três apareceram: ele próprio, o relator da comissão, José Pimentel (PT-CE), e Aníbal Diniz (PT-AC). "Sem poder abrir, encerro (a reunião)", anunciou o presidente da comissão, cancelando o encontro.

Diante da ineficácia de tentar marcar votações de requerimentos, Vital do Rêgo afirmou que, na próxima quarta-feira, a comissão vai se reunir para ouvir o presidente do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense, José Maria Rangel, e o presidente da Federação Única dos Petroleiros, João Antonio de Moraes. Para tomar depoimentos, não é preciso contar com a presença da maioria dos integrantes da CPI.

Posteriormente, em entrevista coletiva, o presidente da CPI foi perguntado sobre a paralisia dos trabalhos e o fato noticiado por reportagem da Revista Veja em agosto de que dirigentes da estatal teriam combinado as perguntas e as respostas na comissão. Questionado se a CPI "acabou", ele respondeu: "Para mim, não. Eu cumpro o dever de estar aqui."

No dia 12 de setembro, uma comissão de sindicância criada pela Casa, a pedido do presidente da comissão, concluiu que não houve "nenhum indício de vazamento de informações privilegiadas, de documentos internos da CPI ou de minutas de questionamentos que seriam formulados aos depoentes".

Há duas semanas, após a coleta de assinaturas para continuar as atividades, a CPI da Petrobrás do Senado teve suas investigações prorrogados por mais um mês. A comissão vai concluir suas apurações até o dia 22 de dezembro. Vista como "chapa branca" por somente reunir senadores da base aliada do governo, a CPI do Senado se reuniu pela última vez em 16 de julho. O grupo de investigação foi abandonado pela oposição desde o início dos trabalhos, que preferiu centrar esforços na CPI mista da Petrobrás.

Nessa terça-feira, 18, uma articulação da oposição com a base aliada na CPI mista levou à aprovação da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Entre outras iniciativas, a comissão também aprovou uma bateria de convocações para tentar ouvir envolvidos no escândalo da estatal, como o presidente licenciado da Transpetro, Sérgio Machado, o ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque, e quer ainda promover uma acareação entre o ex-diretor de Abastecimento da companhia Paulo Roberto Costa e o ex-diretor da Área Internacional da empresa Nestor Cerveró.

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