Sem quórum, comissão cancela votação para convocar Mantega

Reunião que votaria pedido para ministro da Fazenda dar explicações sobre denúncias na Casa da Moeda foi marcada no mesmo horário de encontro com Dilma; base aliada tem maioria

Ricardo Britto, de Agência Estado

14 de fevereiro de 2012 | 12h23

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado cancelou a reunião prevista para a manhã desta terça-feira, 13, para votar os requerimentos de convite ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, e ao ex-presidente da Casa da Moeda Luiz Felipe Denucci. Após esperar mais de uma hora e dez minutos pela chegada dos senadores para abrir a sessão, o presidente da CAE, Delcídio Amaral (PT-MS), encerrou os trabalhos, remarcando novo encontro para tratar do assunto para o dia 28, na semana após o Carnaval.

A reunião da CAE da manhã desta terça foi esvaziada porque havia sido marcado para começar no mesmo horário, às 10 horas, o encontro do Conselho Político do governo. O colegiado reúne os líderes e presidentes dos partidos da base aliada com a presidente Dilma Rousseff.

Também por falta de quórum, a comissão não votou a indicação do atual superintendente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) Roberto Tadeu Antunes Fernandes para ocupar um cargo na diretoria da autarquia.

Não foi sequer preciso a base aliada usar sua vantagem numérica na comissão para derrubar o requerimento solicitando a ida de Mantega e Denucci ao Senado. Os governistas contam com 80% das cadeiras do colegiado.

Delcídio Amaral até avisou aos poucos senadores presentes que iria esperar o fim da reunião do conselho, no Palácio do Planalto, para abrir os trabalhos. Mas, dado o adiantado da hora, preferiu cancelar o encontro. Ao final, apenas 11 senadores compareceram - era necessário mais três integrantes da comissão para começar a reunião da CAE.

Denucci foi demitido no final de janeiro sob suspeita de ter recebido propina de fornecedores da Casa da Moeda. Reportagem do jornal Folha de S.Paulo denunciou que o presidente da instituição tinha aberto offshores em paraísos fiscais e movimentado R$ 25 milhões.

Mantega admitiu ter sido avisado, em 2010, que Denucci teve um problema em 2001 com a Receita Federal, mas afirmou não ter visto motivo para demissão, naquela ocasião. O ministro da Fazenda também é questionado sobre o motivo que o levou a aceitar a indicação do PTB para abrigar Denucci em um cargo eminentemente técnico.

No último domingo, o jornal O Estado de S.Paulo apontou que o arco de apoios políticos que sustentavam Denucci no cargo ia além do PTB: o ex-presidente Lula, o presidente do PP, senador Francisco Dornelles (RJ), o ex-ministro Delfim Netto e o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) José Múcio Monteiro.

Tudo o que sabemos sobre:
SenadoCAEMantega

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.