Sem quebra de sigilo, tucana ameaça deixar presidência da CPI

Marisa Serrano diz que não está na comissão dos cartões 'para brincar' e não quer discutir o 'sexo dos anjos'

Agência Brasil,

19 de março de 2008 | 10h50

A presidente da CPI dos Cartões Corporativos, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), ameaçou deixar a presidência da comissão nesta quarta-feira, 19, se os requerimentos de acesso a informações sigilosas não forem votados na próxima semana. Veja também: Entenda a crise dos cartões corporativos  Governo tenta evitar quebra de sigilo na CPI dos CartõesCPI inicia sessão para ouvir dois ministros de Lula "Se a oposição vir que não há como avançar nas investigações, serei a primeira a sair. Não estou aqui para brincar de senadora e não quero ficar três meses (prazo de duração da CPI) discutindo o sexo dos anjos", disse ao chegar para o depoimento do ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Jorge Hage. A declaração foi uma reação às críticas feitas pela própria oposição de que a CPI não quer ir fundo na investigação dos dados sigilosos. Marisa, no entanto, ponderou que a decisão de deixar a comissão é coletiva e deve ser tomada pelas lideranças partidárias. A oposição acusa o governo de não querer avançar nas investigações com o argumento de que dados sigilosos não podem ser divulgados, pela possibilidade de comprometerem a segurança da Presidência da República. "Se os requerimentos não forem votados, as lideranças partidárias vão tomar a decisão. Se decidirem que devemos ficar e bater até o último dia, ficamos. Se não, nos retiramos", completou. Opinião de aliado Para o relator, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), no entanto, é preciso ouvir os diretores da Agência Brasileira de Informação (Abin) no atual governo e no governo de Fernando Henrique Cardoso, para decidir se será possível ter acesso às informações sigilosas.  "Se eles convencerem a CPI de que é essencial à segurança do Estado o sigilo, acho prudente manter. Se não, a CPI tem autorização para tomar os rumos que achar necessários", disse o relator. Os depoimentos estão marcados para a próxima terça-feira, 25. Luiz Sérgio também rebateu o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que na última terça defendeu que a oposição deixe a CPMI caso os requerimentos não sejam votados. "Essa é uma tática que começa a se revelar por aqueles que queriam a CPMI, mas não querem a CPMI para investigar", comentou. O deputado negou que o depoimento de Jorge Hage possa se resumir a dados e gastos já divulgados pelo Portal da Transparência. "É fundamental que ele também possa esclarecer que medidas já foram tomadas e quais os problemas que foram encontrados".

Tudo o que sabemos sobre:
Marisa SerranoCPI dos cartões

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.