Sem punidos, trama do dossiê Vedoin faz um ano

Petistas iriam comprar por R$ 1,75 milhão papéis contra tucanos

Sonia Filgueiras e Fausto Macedo, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2015 | 00h00

Ninguém preso, ninguém acusado formalmente pela Procuradoria da República, nenhum réu. Um ano depois, o dossiê Vedoin - trama contra políticos do PSDB - está sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF). A montanha de dinheiro - R$ 1,75 milhão em dólares e em reais , que na madrugada de 15 de setembro de 2006 a Polícia Federal flagrou nas mãos de um grupo de petistas, a quem o presidente Lula chamou de aloprados - permanece depositada no Banco Central e na Caixa Econômica Federal.O inquérito chegou ao STF há quase 7 meses, com manifestação do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, que em 7 páginas requereu a exclusão de Aloizio Mercadante do rol de indiciados, porque não viu nenhum vestígio contra o senador do PT, e o retorno dos autos à Justiça Federal de Mato Grosso.O STF reconheceu, por unanimidade, que Mercadante não teve envolvimento com o dossiê Vedoin e o inocentou. Mas os autos continuam na corte máxima do Judiciário. Gilmar Mendes, ministro, disse que nos próximos dias o caso deverá sair do STF. Sem o inquérito que preside, o delegado Diógenes Curado, da PF de Cuiabá, não pode tomar algumas providências que considera necessárias, como o indiciamento de laranjas.AMBULÂNCIASO dossiê Vedoin nasceu de outro escândalo, a máfia dos sanguessugas, que mantinha ramificações no Congresso, no Ministério da Saúde e em mais de 70 prefeituras de 8 Estados. A PF aponta o empresário Luiz Antonio Vedoin e seu pai, Darci, como os líderes da organização que teria sangrado em R$ 55 milhões o Tesouro por meio da venda de ambulâncias superfaturadas.Acuado, Luiz Antonio pediu o benefício da delação premiada e virou colaborador da Justiça. São 169 os réus sanguessugas - inclusive 29 ex-deputados federais, denunciados por quadrilha, corrupção, lavagem de dinheiro, fraude em licitação, e 53 assessores parlamentares.O dossiê é uma peça formada por dois DVDs, meia dúzia de fotografias e uma fita de vídeo que mostram tucanos no último ano do governo Fernando Henrique, 2002, em ato público de entrega de ambulâncias.As cenas não indicam ligações de agentes do PSDB com corrupção, mas por elas os aloprados pretendiam pagar US$ 248,8 mil e mais R$ 1,1 milhão - o dinheiro que, a duas semanas das eleições presidenciais, foi apanhado no Hotel Ibis Congonhas, em São Paulo.Um ano depois, retomaram sua rotina protagonistas do caso. Luiz Antonio faz Direito em uma faculdade de Cuiabá. "Vai chegar o momento certo para ele falar", disse sua advogada, Amanda de Lucena Barreto.Um segundo inquérito da PF investiga suposto envolvimento de tucanos com os sanguessugas na gestão do ex-ministro Barjas Negri (Saúde), em 2002. "Barjas sequer foi ouvido no inquérito", anotou o advogado Claudio Pimentel. "O relatório final da CPI dos Sanguessugas inocentou todos os ministros da Saúde, do governo PSDB e do atual governo."

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