Sem PSDB, CPMF deve ser aprovada com margem apertada

A avaliação é do cientista político Murillo de Aragão, que acredita ser 'viável' acordo para mais recursos à saúde

Luciana Xavier e Elizabeth Lopes, da AE

29 de outubro de 2007 | 16h46

O governo deverá conseguir os votos necessários para aprovar a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) no Senado, mas sem o apoio do PSDB, essa vitória se dará com margem apertada, na avaliação do cientista político Murillo de Aragão, presidente da Arko Advice. "Com o PSDB, o governo terá mais folga", afirmou, em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo.   Veja também:      Entenda a cobrança da CPMF  Governo faz acordo sobre tramitação da CPMF no Senado    Repasse maior da CPMF a Estados é irreversível, dizem aliados   Maioria dos governadores se alinha a Lula em esforço a favor da CPMF      Entenda a emenda 29       A aprovação da prorrogação da contribuição é um dos assuntos de destaque desta semana. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou nesta segunda que pretende finalizar a proposta que será negociada com o PSDB em dois ou três dias.   Segundo Aragão, Mantega deverá ser flexível agora para conseguir um acordo com a oposição. "O governo sabe que sem negociar com a oposição vai ter dificuldades para aprovar a CPMF. E a estratégia do governo foi de endurecer na Câmara para negociar no Senado.", explicou.   Para o cientista político, o "viável" que o governo chegue a um acordo para destinar mais recursos para a área de saúde, que foi justamente a que levou a CPMF a ser criada, mas hoje serve para financiar também o Fundo de Combate à Pobreza. Mantega se reúne às 17 horas com o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, para tentar fechar um entendimento nesse sentido. Mas Aragão acredita que apenas ceder nesse ponto seja pouco.   Dentre as concessões já propostas pela oposição, Aragão afirmou ser possível o governo aceitar a redução gradual da CPMF. "O cronograma de redução é bastante factível", analisou. Aragão disse ser importante o governo sinalizar com a redução da carga tributária, começando pela CPMF.   Segundo Aragão, apesar de ser oposição, o PSDB não dá sinais de que quer realmente barrar a CPMF. Ele explicou que todo governante sabe que a CPMF é atualmente "imprescindível". "A CPMF é conveniente para qualquer partido", ressaltou.   Além disso, o cientista político lembrou que, embora tenha sido criada no governo de Itamar Franco, a CPMF "tomou vida" no governo de Fernando Henrique Cardoso. "Eles (PSDB) são um dos criadores da CPMF", observou.

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