Eraldo Peres/AP Photo
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Sem provas, Bolsonaro diz que 'agente político do Rio' quer fazer buscas contra outro de seus filhos

Presidente afirma que provas contra sua família estariam sendo fraudadas e plantadas, mas 'não tem como comprovar' declaração

Paulo Roberto Netto, O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2019 | 18h14

Sem provas, o presidente da República Jair Bolsonaro afirmou que há suposto plano de um 'agente político do Rio' em conduzir buscas e apreensões contra um de seus filhos 'fraudando e plantando provas'. A declaração foi dada em entrevista nesta terça-feira, 24, ao programa Brasil Urgente

De acordo com Bolsonaro, após ter inserido seu nome no caso Marielle Franco por meio do depoimento do porteiro do condomínio Vivendas da Barra, tal agente político 'acertou gravações de bandidos citando o seu nome para divulgar em uma grande rede de televisão', mas o plano não foi pra frente.

"A nova intenção agora, não tenho como comprovar, é fazer buscas e apreensões na casa de outro filho meu e, ao que tudo indica, fraudando e plantando provas dentro da casa dele", afirmou Bolsonaro, sem apresentar provas ou citar qual dos seus filhos seria o suposto alvo.

Na semana passada, a loja de chocolates Bolsotini, de Flávio Bolsonaro, foi alvo de buscas do Ministério Público no inquérito que apura suposto esquema de 'rachadinhas' realizado no seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) entre 2007 a 2018. A operação mirou familiares do parlamentar e ex-servidores do parlamentar, incluindo Fabrício Queiroz, acusado de coordenar o esquema de desvio de dinheiro público.

Bolsonaro e seu filho, Flávio, atacaram o  juiz Flavio Itabaiana de Oliveira Nicolau, da 27° Vara Criminal, que autorizou a operação, acusando a filha do magistrado de ser funcionária fantasma do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel. O governo do Rio respondeu que não interfere em investigações da polícia ou da promotoria e destacou que a servidora foi nomeada antes do caso cair nas mãos do juiz Flávio Nicolau.

Ao comentar o caso, Bolsonaro afirmou que se trata de um 'jogo de poder sujo' e um 'atropelo'. "Quando os caras fazem busca e apreensão, as famílias que tem suas casas invadidas ficam marcadas na sua rua. Isso tudo está acontecendo e é um crime o que estão fazendo", afirmou. Segundo o presidente, o caso Flávio Bolsonaro é uma pirotecnia com objetivo de atingir o Planalto.

Eleições. Questionado sobre a possibilidade do ministro Sergio Moro entrar em sua chapa à reeleição em 2022 como vice, Bolsonaro afirmou que é 'muito cedo' para se falar no pleito presidencial. 

O presidente destacou que poderá subir em palanques de candidatos alinhados com o governo nas eleições municipais de 2020, caso o Aliança Pelo Brasil não seja criado a tempo de disputar o pleito, mas afirmou que não irá 'despender muito tempo' em campanhas.

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