Sem previsão para Doha, Lula diz buscar novos parceiros

Presidente cita acordos com a África e América Latina, e avisa que próxima meta é parceria com a Indonésia

22 de outubro de 2007 | 08h08

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta segunda-feira, 22, que "ainda não está nada decidido" sobre a Rodada Doha, mas "estamos perto disso". Em seu programa semanal de rádio, Café com o Presidente, Lula disse que está difícil de se chegar a um acordo porque "o subsídio da agricultura americana está muito alto". Além disso, citou como empecilho o fato de a União Européia ainda não ter definido quais são seus produtos agrícolas sensíveis.   Segundo o presidente, há limitações para fechar acordos com os Estados Unidos e a União Européia porque "todo mundo quer vender para eles" e "colocam obstáculos para a entrada de produtos de países emergentes".    Por isso, de acordo com Lula, o Brasil procura novos parceiros - como África e América Latina -, e, no ano que vem, a Indonésia - "um país de 210 milhões de habitantes em que o Brasil tem uma balança comercial de apenas US$ 1 bilhão".    "Nós não podemos, enquanto países em desenvolvimento, abrir mão do nosso crescimento interno, do crescimento da nossa indústria e não ganhar nada na agricultura", disse, acrescentando que há interesse político de fazer acordo para a Rodada Doha, "quem sabe, até o final do ano".   Na semana passada, Lula esteve em quatro países africanos para divulgar os biocombustíveis e fechar acordos de troca de tecnologia e também falou sobre a viagem no programa.   O presidente disse que, como parte da estratégia de aproximação da África, será aberto um escritório da Embrapa em Gana e uma sede da Fiocruz em Moçambique. Segundo o apresentador do programa, entre 2002 e 2006, a balança comercial entre Brasil e África passou de US$ 5 bilhões para US$ 15 bilhões.   Lula disse que levou à África discursos a favor da democracia. "Toda vez que um país tem guerra (...) a tendência é o país não crescer, porque ninguém vai investir e o pouco dinheiro que tem é obrigado a gastar em guerra, em vez de gastar em indústria e agricultura", disse. "Só existe uma possibilidade de a África dar um salto de qualidade, chama-se paz e democracia", completou o presidente.            

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