Alan Santos/PR
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Sem novo ministro, Saúde não deve ter 'mudanças bruscas' em plano traçado por Teich

Segundo o 'Estadão' apurou, palavra de ordem na pasta é manter o planejamento que já estava definido; a interlocutores, Pazuello tem dito que não tem nenhum interesse em ser efetivado na função de ministro

Vinícius Valfré, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2020 | 12h12

BRASÍLIA - Enquanto o presidente Jair Bolsonaro não define um novo chefe para o Ministério da Saúde, a palavra de ordem na pasta é manter o planejamento que havia sido definido pelo ex-ministro Nelson Teich sem promover "mudanças bruscas" nas diretrizes delineadas pela equipe.

Técnicos do ministério apontam que caberá ao ministro interino, general Eduardo Pazuello, anunciar planos e estratégias nesta semana, mas preveem que tudo deverá seguir o que já estava em desenvolvimento internamente.

Até mesmo o protocolo para tratamento de pacientes com sintomas leves do novo coronavírus, no qual também haverá especificações sobre a cloroquina, não deverá ser submetido a mudanças. 

Escalado por Bolsonaro para a função de número 2 de Nelson Teich, o general do Exército, da ativa, Pazuello tem dito a interlocutores que não tem nenhum interesse em ser efetivado na função de ministro. O presidente ainda não sinalizou quem assumirá a pasta.

A ampliação do uso da substância esteve no centro da divergência entre Bolsonaro e Teich que resultou na segunda baixa em menos de um mês no ministério. Não há estudos científicos que atestem a eficácia da droga, que pode causar efeitos colaterais graves.

A cloroquina já é disponibilizada pelo governo para pacientes em ambiente hospitalar e com sintomas moderados ou graves da covid-19. Estudos para ampliação do protocolo estavam em andamento na pasta. 

O Conselho Federal de Medicina já liberou a prescrição da cloroquina para pacientes acometidos pelo novo coronavírus, mas com a ressalva de que "não seguiu a ciência" ao tomar a decisão. 

No entanto, não há um protocolo de distribuição do remédio para que pacientes possam ter acesso à droga no sistema público. Segundo técnicos, a diretriz não fará representará nenhuma imposição ou mudança brusca em orientações sobre como tratar os pacientes.

Na última sexta-feira, o Ministério da Saúde informou que está finalizando as "novas orientações" de assistência a pacientes com o novo coronavírus.

"O documento abrangerá o atendimento aos casos leves, sendo descritas as propostas de disponibilidade de medicamentos, equipamentos e estruturas, e profissionais capacitados", pontuou.

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