''Sem MP, ONGs sérias seriam prejudicadas''

A fundadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns, aprovou a decisão do governo de editar nesta semana a Medida Provisória 446, que tornou automática a aprovação dos pedidos de renovação de certificados de filantropia pendentes no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS). Longe de fazer lobby pelo setor ao qual dedicou boa parte de sua vida, Zilda afirma que essa era a única saída para não prejudicar as entidades sérias, com a demora na renovação. O que a sra. achou da MP 446, editada nesta semana, que na prática patrocinou uma anistia no setor?Se o governo não fizesse isso, muitas entidades sérias seriam prejudicadas. Agora, os ministérios têm de fiscalizar quais estão trabalhando corretamente, prestando o serviço. A Pastoral da Criança, que ajudei a fundar, nunca teve uma única prestação de contas devolvida.O sistema hoje é seguro e as fraudes são uma exceção ou o contrário: há brechas que favorecem a prática de irregularidades?Será que os ministérios vão ter o número de funcionários para fiscalizar toda a prestação de contas, os recibos, até de lanches? Acho que não vai ser assim. Terá de mudar o sistema de fiscalização. As entidades sérias ficam abaladas com esses escândalos todos? O que se deve fazer?É importante que as entidades tenham um sistema informatizado e apresentem resultados do serviço prestado, mostrando a evolução de seus atendidos, por exemplo. Eu, nos 25 anos da Pastoral, nunca joguei um recibo fora. As entidades precisam se organizar. Se deixar sem controle, a gente sabe que acontece irregularidade.

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