Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Sem Moro, governo perderia apoio no Congresso, dizem aliados do ministro

‘O suporte do governo está ancorado em Paulo Guedes e Moro. Deixar com uma perna só vai bambear’, diz o senador Major Olimpio (PSL)

Daniel Weterman e Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2020 | 16h48

BRASÍLIA – A possibilidade de o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, deixar o governo caso o presidente Jair Bolsonaro imponha um nome para comandar a Polícia Federal provocou reações de aliados do ex-juiz da Lava Jato no Congresso. Para esses parlamentares, o ministro não tem razão para ficar no cargo se o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, for substituído. Além disso, segundo eles, o governo perderia apoio no Legislativo.

Estado apurou que o ministro não aceita que essa troca venha de “cima para baixo”, e defende o direito de fazer a escolha. 

Congressistas “moristas” pressionam Bolsonaro a recuar da troca na PF. “Vai ficar uma situação muito difícil se ele (Jair Bolsonaro) insistir nessa troca. É mais do que motivo para isso (demissão de Moro). Não tem por que estar no cargo”, afirmou o líder do PSL no Senado, Major Olimpio (SP).

Atualmente, Moro conta com apoio de uma ala do Congresso para aprovar medidas que são sua bandeira, como a prisão após condenação em segunda instância. “O suporte do governo como um todo está ancorado em Paulo Guedes e Sérgio Moro. Deixar com uma perna só vai bambear”, disse Olimpio.

Governistas negam que haja conflito entre o presidente e o ex-juiz da Lava Jato na esperança de que a demissão não se concretize. “Se isso acontecer (troca na PF), não é uma crise entre Bolsonaro e Moro”, disse o senador Marcio Bittar (MDB-AC), vice-líder do governo no Congresso e aliado do ministro.

Na Câmara, o presidente da Frente Parlamentar da Segurança Pública, Capitão Augusto (PL-SP), afirmou que uma reunião da bancada agendada para a próxima terça-feira, 28, que foi confirmada mesmo após o aviso de Moro.

Os ministros do Palácio do Planalto tentam reverter na tarde desta quinta-feira, 23, uma possível saída do ministro da Justiça, Sergio Moro, após o presidente Jair Bolsonaro comunicar a ele que trocará o comando da Polícia Federal, atualmente ocupada por Maurício Valeixo. De acordo com interlocutores do presidente, Moro não chegou a pedir demissão, mas afirmou que não concordava com a troca “de cima para baixo” e reavaliaria sua permanência no governo.

Valeixo já havia tratado de sua saída do cargo de diretor-geral da corporação com Moro, que tentava encontrar um nome de sua confiança para o posto. A conversa ocorreu no início do ano. O delegado, amigo do ministro, demonstrou exaustão, reportando-se a um 2019 tenso na direção da corporação.

Bolsonaro, no entanto, avisou que ele mesmo escolheria um substituto. É a segunda vez que o presidente ameaça trocar a cúpula do órgão.

Embora a indicação para o comando da PF seja uma atribuição do presidente, tradicionalmente é o ministro da Justiça quem escolhe.  Entre os nomes que são cotados para o cargo estão o do atual diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, e do secretário de segurança do Distrito Federal, Anderson Torres.


 

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