Adriano Machado / Reuters
Adriano Machado / Reuters

Sem máscara, Bolsonaro passeia de moto e conversa com garis

Todos os três exames do presidente para a covid-19 deram positivo

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2020 | 18h12

Diagnosticado com o novo coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro passeou de moto na área externa do Palácio da Alvorada nesta quinta-feira, 23. Sem usar máscara, o presidente parou para conversar com trabalhadores que faziam a limpeza do local. O comportamento foi criticado por especialistas ouvidos pelo Estadão.

Apesar da expectativa pelo resultado negativo, Bolsonaro informou o terceiro teste positivo para a covid-19 na última quarta-feira, 22. Desde o dia 7 de julho, quando anunciou que estava infectado, ele segue em isolamento no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência, onde despacha por videoconferência. 

Nas fotos, Bolsonaro aparece sorrindo para profissionais que faziam a limpeza da área externa do Palácio. Ele está sem a máscara de proteção, recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e autoridades da saúde para evitar a contaminação do coronavírus.

“O ideal é que todos os cidadãos usem máscara em tempos de covid-19, independentemente de ter tido ou não a doença. O fato de não estar de máscara tá errado - e isso vale para qualquer cidadão brasileiro”, disse o médico Leonardo Weissmann, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas. “Agora, considerando que já faz mais de duas semanas (que o primeiro exame deu positivo), muito provavelmente ele não tá transmitindo mais o vírus.”

No último dia 7, o presidente informou que recebeu diagnóstico de covid-19. Na quarta-feira, um novo exame deu o mesmo resultado, segundo o Palácio do Planalto.

“A grande maioria das pessoas podem permanecer com (teste) PCR positivo e não necessariamente estar transmitindo o vírus. Eu vejo que, se o presidente ainda está com PCR positivo, o correto era ele continuar usando máscara e manter o distanciamento social”, afirmou o médico Julival Ribeiro, integrante da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

No mesmo dia em que o presidente passeou de moto, o Brasil contabilizou uma média diária de 1.055 mortes por covid-19 nos últimos sete dias, apurou o consórcio de imprensa formado por Estadão, G1, O Globo, Extra, Folha e UOL junto às secretarias estaduais de Saúde.

O levantamento mostrou que, desde as 20h de ontem, o País registrou 1.317 mortes e 58.080 novas infecções de coronavírus. No total, 84.207 vidas já foram perdidas por causa da covid-19 e 2.289.951 pessoas foram infectadas.

O Brasil é o segundo país do mundo com maior número de casos e mortes por covid-19, atrás apenas dos Estados Unidos, com 4 milhões de infecções confirmadas e 144 mil óbitos, de acordo com a Universidade Johns Hopkins.  

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