Sem Lula, PT lança pré-candidatura de Mercadante ao governo de SP

Ausência do presidente provocou tensão e descontentamento entre petistas; segundo partido, presidente não compareceu por questões pessoais

Malu Delgado, Roberto Almeida e Julia Duailibi,

24 de abril de 2010 | 14h41

Na falta de Lula, foi Dilma quem conduziu o encontro que coroou Mercadante e Marta pré-candidatos do PT

 

SÃO PAULO - O PT lançou neste sábado, 24, durante o 17.º Congresso Estadual da sigla em São Paulo, o senador Aloizio Mercadante pré-candidato ao governo do Estado e a ex-prefeita Marta Suplicy pré-candidata ao Senado. O evento acabou marcado pela inesperada ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que provocou tensão e descontentamento entre petistas.

 

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Segundo a direção do PT, Lula disse que não poderia estar presente por questões pessoais e familiares. O presidente, que permaneceu em Brasília, enviou uma carta ao líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), que foi lida no ato pelo deputado durante dois minutos e meio.

 

O presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, também não compareceu ao evento, ainda que São Paulo seja um Estado estratégico na campanha à Presidência por conta da histórica vantagem eleitoral dos tucanos. "A luta é em São Paulo. A eleição vai ser decidida aqui. Temos uma enorme oportunidade", afirmou Marta, ao discursar no evento.

 

"Serei militante dessa campanha que já começa vitoriosa. Nós sabemos que os avanços de um Brasil mais justo com igualdade de oportunidades só será possível se São Paulo, o Estado mais rico do País, estiver em sintonia com o projeto que estamos construindo para o Brasil", declarou o presidente na carta, sem especificar os motivos da sua ausência.

 

O presidente afirmou que gostaria de "pessoalmente mostrar compromisso com a eleição do Mercadante ao governo e com a candidatura da companheira Marta ao Senado" e falou de seu "compromisso" com as candidaturas do PT por São Paulo, inclusive a de Marta Suplicy ao Senado.

 

Às pressas

 

A carta, segundo dirigentes petistas confirmaram ao Estado, só foi ditada às 11 horas. O evento, que estava marcado para começar às 11 horas, só foi iniciado às 12 horas, por causa das tentativas de contornar a ausência de Lula. Com a estratégia de campanha desenhada e amparada na alta popularidade de Lula, Mercadante contava com a presença do presidente.

 

Embora tenha iniciado seu discurso dizendo que não "falaria mal de ninguém", o senador petista desfiou críticas ácidas à gestão dos tucanos no Estado. Fez ainda, um claro esforço durante toda sua fala de colar seu projeto político no Estado ao do presidente Lula. "Vim para anunciar o futuro e a mudança", declarou Mercadante, que, ainda, fez comentários sobre "o espírito bandeirante".

 

Mercadante era candidato natural à reeleição ao Senado, mas atendeu ao pedido do presidente para disputar o Palácio dos Bandeirantes. Recebeu o compromisso de que Lula se dedicaria à campanha em São Paulo e que, no futuro, poderia disputar a Prefeitura de São Paulo. O nome de Mercadante foi articulado internamente e pelo presidente assim que ruiu, internamente, a ideia de lançar o ex-ministro e deputado Ciro Gomes (PSB) candidato em São Paulo.

 

Lula tentou colocar a eleição de Mercadante e da ex-ministra Dilma Rousseff à continuidade de seu projeto. Destacou a biografia do senador e a atuação no PT. "No PT, o companheiro sempre assumiu tarefas que demonstraram e demonstram o seu compromisso, principalmente com o povo mais pobre. Mercadante está capacitado para governar o Estado de São Paulo, para junto com Dilma aprofundar as mudanças que implementamos no Brasil", afirmou.

 

Ao discursar, Dilma enalteceu a lealdade de Mercadante ao projeto do governo Lula e elogiou a luta de Marta contra a discriminação das mulheres. "O Mercadante esteve sempre na coordenação das campanhas ao lado do presidente Lula (...) Poucas vezes São Paulo vai ver uma chapa tão qualificada como a com Marta e Mercadante", afirmou Dilma.

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