WILTON JUNIOR/ESTADÃO
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Sem líderes do PT em Minas, Dirceu lança livro em BH e defende 'Lula Livre'

O governador do Estado, Fernando Pimentel, e a presidente cassada Dilma Rousseff não compareceram ao lançamento de 'Zé Dirceu - Memórias', em uma pizzaria na capital mineira, nesta terça-feira, 13

Leonardo Augusto, Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

14 Novembro 2018 | 00h08

BELO HORIZONTE - Sem a presença de caciques do PT em Minas Gerais, o ex-ministro José Dirceu lançou seu livro de memórias nesta terça-feira, 13, em Belo Horizonte, e afirmou continuar defendendo o movimento "Lula Livre" e que a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Operação Lava Jato pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro foi "sumária e sem provas". O governador do Estado, Fernando Pimentel (PT), e presidente cassada Dilma Rousseff, ambos derrotados nas eleições de outubro, não compareceram ao lançamento da publicação, em uma pizzaria da cidade. Pimentel perdeu a reeleição e Dilma foi derrotada na briga pelo Senado pelo Estado.

"É preciso anular essa condenação, porque é sumária, sem provas", afirmou Dirceu, que chegou acompanhado pelo vereador Arnaldo Godoy,  presidente municipal do PT. Condenado a 30 anos e 9 meses de prisão na Lava Jato, o ex-ministro de Lula foi solto por habeas corpus no último dia 26 de junho. Em 21 de agosto, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu manter Dirceu em liberdade até que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) julgue recurso especial que a defesa do petista apresentou contra a condenação.

Em plateia formada por militantes, e tratado como "comandante", Dirceu, em discurso, disse o que acredita ser o comportamento da esquerda no governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL): "A verdade é a seguinte: deixa ele (Bolsonaro) governar. Ele quer governar? Ele quer implantar essas medidas? Ele implante. Nós vamos fazer oposição. Em todos os sentidos. Parlamentar, nas ruas. Temos que garantir o direito de manifestação".

Rotina. Mineiro de Passa Quatro, região sul de Minas Gerais, Dirceu disse que na prisão sentia falta de falar com a militância. O ex-ministro afirmou ainda "ter orgulho de ser mineiro". Ele disse também que sábados e domingos na prisão, onde escreveu o livro Zé Dirceu - Memórias (Geração Editorial), "são o caminho para a depressão". "Porque sexta é dia de visita", afirmou.

Dirceu contou que as viagens que faz pelo País são de carro e ônibus. "Se entro em um avião, já viu, né? Já tô acostumado. Mas não vale a pena. Não vale a pena porque é um objetivo. É uma forma de luta deles. E não vou dar esse prazer, esse gosto pra eles", disse.

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