Sem imunidade, Cunha Lima terá que depor no STF

Nove anos após ter atirado no ex-governador da Paraíba Tarcísio Buriti, o senador Ronaldo Cunha Lima (PSDB-PB) será interrogado no próximo dia 9 pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Moreira Alves. Há no STF uma ação penal contra o parlamentar para apurar o crime ocorrido em dezembro de 1993. Em outubro, Cunha Lima foi eleito deputado federal. Apenas em agosto passado, o Supremo recebeu a denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal contra o senador. O caso estava parado há anos no tribunal por causa da imunidade parlamentar. Até dezembro de 2001, nenhum parlamentar podia ser processado sem a prévia autorização da respectiva Casa. Em 1999, o Senado negou licença para a abertura do processo contra Cunha Lima. Com a aprovação da emenda constitucional 35, de 2001, a ação voltou a tramitar no STF. Essa emenda estabeleceu que os parlamentares têm imunidade apenas de opiniões, palavras e votos. O crime ocorreu em 5 de dezembro de 1993. O ex-governador Tarcísio Buriti estava almoçando em um restaurante de João Pessoa quando Cunha Lima entrou no estabelecimento e atirou duas vezes no adversário. Os tiros atingiram a boca do ex-governador, que foi socorrido a tempo. Cunha alegava, sem provas, que Buriti vinha difamando seu filho Cássio Cunha Lima, então superintendente da extinta Sudene, hoje governador eleito da Paraíba pelo PSDB.De acordo com o STF, Moreira Alves deveria interrogar Cunha Lima no próximo dia 25. Mas o interrogatório foi adiado a pedido do senador, que ficará internado no Instituto do Coração no período de 24 a 30 de novembro, conforme o Supremo. Além de Cunha Lima, o deputado federal José Alexsandro da Silva (PSL-AC) será interrogado no STF. O ministro Sepúlveda Pertence marcou o interrogatório para o próximo dia 2. O parlamentar será ouvido sobre sua suposta participação em crime contra a administração pública.

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