Fotos: Taba Benedicto/Estadã; André Dusek/Estadão;José Cruz/Agência Brasil;e Adriano Machado/Reuters
Fotos: Taba Benedicto/Estadã; André Dusek/Estadão;José Cruz/Agência Brasil;e Adriano Machado/Reuters

Sem Huck, saiba quem fica na disputa pela 'terceira via' de centro em 2022

Partidos falam em buscar unidade, mas já lançaram 15 nomes ao Palácio do Planalto e apostam em desistência também de Sérgio Moro

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2021 | 11h50
Atualizado 16 de junho de 2021 | 15h07

O anúncio do apresentador Luciano Huck de que não vai disputar a Presidência da República, em 2022, já era esperado pelos líderes de partidos de centro, que se reuniram presencialmente pela primeira vez em um almoço nesta quarta-feira, 16, em Brasília. 

A avaliação majoritária dos dirigentes partidários ouvidos pelo Estadão é que o ex-ministro Sérgio Moro também está fora do tabuleiro, embora não tenha se pronunciado a respeito. 

Sem esses nomes "outsiders" da política tradicional no horizonte, os partidos que buscam se descolar da polarização entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já lançaram publicamente 15 pré-candidatos.

Foram convidados para o almoço desta quarta os presidentes do PDT, PSDB, DEM, SD, Podemos, Cidadania, PV, Novo e PSL

É consenso entre as siglas que dificilmente esse colegiado vai conseguir fechar em bloco com um nome na disputa, mas buscam ao menos uma pré-aliança em torno de um programa de ação comum. Confira os nomes já apresentados até agora.

Quem é quem

PDT

Ciro Gomes

Terceiro colocado (em empate técnico com Moro) nas últimas pesquisas de intenção de voto (6% segundo Ipespe e Datafolha), mas ainda bem atrás de Lula e Bolsonaro (41% e 23% respectivamente segundo Datafolha), o ex-ministro e ex-governador do Ceará Ciro Gomes tem buscado dialogar com o eleitorado de esquerda e também de centro, com duros ataques a Lula. O presidente do PDT, Carlos Lupi, aposta que o pragmatismo dos partidos de centro deve levar pelo menos parte dessas siglas para o palanque de Ciro, mas só caso ele chegue ao patamar dos 12% a 15% nas pesquisas de intenção de voto já no início do ano que vem. Ex-PSDB, Ciro foi ministro nos governos petistas. 

DEM

Luiz Henrique Mandetta  (deputado MS)

Rodrigo Pacheco (presidente do Senado) 

O ex-ministro da Saúde se destacou no combate à pandemia em oposição a Bolsonaro. Deputado federal pelo Mato Grosso do Sul, enfrenta a resistência interna da ala do partido aliada ao governo. Se não se acertar com o DEM, já tem convite para disputar a Presidência pelo Podemos. Na pesquisa Datafolha, obteve 2% das intenções de voto, o mesmo que João Amoêdo (Novo), que desistiu de concorrer. Outro nome do DEM que tem ganhado destaque é o do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MG). Pacheco atrai inclusive apoio de outros partidos, como o PSD. PSDB e DEM, que caminharam juntos nas últimas eleições presidenciais, se afastaram após o racha no partido em torno da disputa pela presidência da Câmara (o que levou inclusive à saída do deputado Rodrigo Maia e do prefeito do Rio, Eduardo Paes, da legenda) e da filiação do vice-governador de São Paulo, Rodrigo Garcia ao PSDB, abandonando as fileiras do DEM há cerca de um mês.   

PSDB

João Doria (governador SP)

Eduardo Leite (governador RS)

Tasso Jereissati (senador CE)

Arthur Virgílio (ex-prefeito de Manaus/AM)

O PSDB vai entrar em um longo e desgastante processo de prévias entre 4 pré-candidatos. A legenda acredita que a repercussão da disputa interna será positiva e o vencedor será o "player" mais forte ao lado de Ciro Gomes. Nome mais frequente nas pesquisas de intenção de voto, Doria aparece com 3% no Datafolha.

MDB

Simone Tebet (senadora MS)

Michel Temer (ex-presidente)

Emparedado entre Lula e Bolsonaro, o MDB tem discutido os nomes de Simone e Temer, mas sem condições reais até aqui de reivindicar o apoio dos partidos de centro. Ambos não tem sido citados nas pesquisas de intenção de voto. Os emedebistas fecharam uma aliança estratégica com o PSL, que ainda vive o dilema entre ser ou não aliado de Bolsonaro. Suas fileiras ainda abrigam parte da tropa de choque do governo no Congresso. MDB e PSL lançaram um programa conjunto de debates batizado "Ponto de Equilíbrio". 

PSD

Alexandre Kalil (prefeito BH)

Otto Alencar (senador BA)

Ratinho Jr. (governador PR)

Fabio Trad (deputado MS)

André de Paula (deputado ES)

Antonio Anastasia (senador MG)

 

O presidente do PSD, Gilberto Kassab, não participou do almoço desta quarta, embora o partido seja considerado de centro. Ele rejeita a ideia de atuar em bloco, exceto se seu correligionário for o destaque da aliança. Enquanto articula palanques fortes nos Estados (em especial SP, RJ e MG), o ex-prefeito de São Paulo diz que busca alguém com o "perfil" do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) ou da empresária Luiza Trajano, embora esta, outra 'outsider', não seja filiada a partidos e já tenha descartado a hipótese.

Na prática, porém, o PSD "lançou" também outros nomes como presidenciáveis, como o dos senadores Antonio Anastasia (MG), ex-governador de Minas, e Otto Alencar (BA), que tem se destacado na CPI da Covid. Ao saber da lista divulgada pelo Estadão, porém, Kassab procurou a reportagem para ampliar a relação de presidenciáveis do partido com Alexandre Kalil, prefeito de Belo Horizonte, Ratinho Jr. governador do Paraná e filho do apresentador de TV homônimo, e dos deputados Fábio Trad (MS) e André de Paula (PE). "São esses os nomes que estão sendo discutidos. Ou se incluem todos ou nenhum", afirmou. O próprio Kassab, porém, em entrevista anterior, já havia anunciado Kalil como pré-candidato ao governo de Minas. Ou seja, assim como outros partidos, o PSD coloca diversos nomes na mesa para abrir as negociações, mesmo que não sejam conhecidos nacionalmente nem tenham potencial de voto já mapeado na corrida.

Novo

O partido chegou a lançar o nome de João Amoêdo, mas este acabou desistindo da pré-candidatura em função da disputa interna da legenda; uma ala do partido defendia lançar o deputado Thiago Mitraud, de Minas Gerais. Mas a situação segue indefinida.

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