Sem falar dos caças, Dilma encontra Sarkozy em Paris

Candidata à presidência foi recebida no Palácio do Eliseu para reunião de 25 minutos; tudo o que a petista faz na Europa é registrado para a campanha

Andrei Netto e João Domingos, de O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2010 | 14h32

PARIS - Sem os privilégios especiais, reservados aos chefes de Estado e de governo, a candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff, encontrou-se na tarde desta quarta-feira,16, em Paris, com o presidente da França, Nicolas Sarkozy. No encontro, que teve cerca de 25 minutos de duração, ambos teriam discutido temas como crise econômica, meio ambiente e comércio, sem tocar na compra dos aviões de caça Rafale, avaliada em R$ 12 bilhões. Junto da candidata, estava o embaixador do Brasil em Paris, José Maurício Bustani, mas não o cinegrafista contratado para acompanhar os passos da petista em sua turnê de cinco dias pela Europa.

 

Às 17h, Dilma reuniu-se com Sarkozy no Palácio do Eliseu. A petista chegou em carro oficial da embaixada, acompanhada pelo embaixador do Brasil em Paris, José Maurício Bustani, e foi recebida pelo ministro das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, e não pelo presidente - que pelo protocolo só vai à porta frontal do palácio para recebe chefes de Estado e de governo.

 

Sarkozy não se pronunciou ao fim do encontro, que teve cerca de 25 minutos de duração, limitando-se a posar para fotografias e abanar para a imprensa. Tampouco o Palácio do Eliseu divulgou nota sobre o conteúdo das discussões.

 

Segundo relato da petista, ambos conversaram sobre os interesses comerciais entre os dois países, a ação conjunta no G-20, e sobre meio ambiente e sobre a Parceria Estratégica Brasil-França. O último tema inclui a venda de material dos caças Rafale, um negócio avaliado em R$ 12 milhões. "Falamos sobretudo sobre o interesse da França pelo Brasil e também do Brasil pela França, já que a relação comercial entre os dois países é muito grande, com investimentos recíprocos", afirmou.

 

Sobre o interesse da França em vender os caças Rafale ao Brasil, Dilma assegurou: "Não, este assunto não foi tratado". Questionada se, caso eleita, teria a mesma preferência já manifestada por Lula pelas aeronaves francesas, a petista, já de saída, negou. "Não, não tenho nenhuma preferência."

 

 

Campanha na TV

 

 

A reunião serviu mais para a ex-ministra produzir imagens de TV para sua campanha do que para firmar futuros acordos políticos. Imagens do encontro, porém, foram feitas pelo cinegrafista João Lourenço Garcia Pena, um dos quatro integrantes da equipe de Dilma que a acompanham na viagem a Paris, Bruxelas, Madri e Portugal. Garcia Pena não pôde registrar o encontro de Dilma com Sarkozy no gabinete do presidente francês, porque a filmagem não foi liberada. Mas, do pátio do palácio, registrou a chegada e a saída de Dilma, as cenas com Sarkozy e até os beijinhos de despedida dos dois.

 

O cerimonial do Eliseu é rígido. O visitante tem de se despedir e entrar no carro imediatamente, para dar lugar ao de outro que chega. Dilma, por exemplo, falou apenas algumas frases logo depois do encontro. Em seguida, seus assessoras avisaram que o governo francês estava pedindo para que todos saíssem.

 

O cinegrafista de Dilma teve de correr para entrar no carro que o transportava. Um segurança gritava: "rápido, rápido".

 

Tudo o que Dilma fez em Paris foi registrado por Garcia Pena. Depois da reunião com Sarkozy, o mais importante foi a conversa com a secretária-geral do Partido Socialista francês, Martine Albry, este no hotel de Dilma. Os assessores da candidata informaram que as imagens serão editadas e serão usadas no programa de TV no momento adequado.

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