Beto Barata/PR
Beto Barata/PR

Temer afasta população de seu palanque e evita protesto no desfile

Lugares em frente às autoridades foram ocupados por tablado de seguranças e de homens da Forças Armadas

Carla Araújo e Leonencio Nossa, O Estado de S.Paulo

07 Setembro 2017 | 10h19
Atualizado 07 Setembro 2017 | 22h12

BRASÍLIA - O desfile do 7 de Setembro na Esplanada dos Ministérios nesta quinta-feira em Brasília foi marcado pelo baixo público, poucas falas oficiais e um esquema de blindagem das autoridades. Além de proibir faixas de protestos e bandeiras de grandes mastros, os organizadores impediram vaias diretas ou possíveis registros de cartazes de manifestantes com a imagem de Temer distanciando a tribuna de honra das arquibancadas populares.

Em frente ao palanque, onde o presidente assistiu à festa com a mulher, Marcela, e o filho Michelzinho, de 8 anos, foi montado um tablado só para seguranças e agentes das Forças Armadas. As arquibancadas à esquerda e à direita da tribuna foram ocupadas por pessoas selecionadas pelo Planalto, devidamente credenciadas.

Temer e a família chegaram ao pátio do Ministério da Defesa, atrás da tribuna de honra, em carro fechado - como no ano passado, o Rolls-Royce da Presidência não foi usado. O público não vaiou nem aplaudiu quando o locutor do evento anunciou a chegada do presidente. Temer passou boa parte do tempo em conversas com o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE). O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ficou do outro lado, perto da primeira-dama.

Pelos cálculos da Polícia Militar, 20 mil pessoas assistiram ao desfile. O Ministério da Defesa esperava um público de 40 mil. No ano passado, 25 mil estiveram na Esplanada. Na manhã desta quinta, o público enfrentou o calor e a baixa umidade do período de seca de Brasília durante a passagem de estudantes e militares pela pista do Eixo Monumental.

Os dois momentos mais aplaudidos do evento foram a passagem de agentes da Polícia Federal e as acrobacias de aviadores da Esquadrilha da Fumaça logo após o desfile.

Ministros falaram pouco com a imprensa. O ministro da Defesa, Raul Jungmann, afirmou que só falaria sobre 7 de Setembro. “Não falo de política, só falo de Estado”, disse.

Grito dos Excluídos reúne cerca de 350 

Houve frustração de público também entre os críticos do governo. O Grito dos Excluídos, organizado por pastorais sociais da Igreja Católica e movimentos sociais, só conseguiu reunir 350 pessoas, na estimativa da polícia. Depois do encerramento do desfile oficial, os manifestantes saíram da área em frente ao Museu da República e foram até o gramado do Congresso. De forma pacífica, eles exibiram faixas com as inscrições “Fora Temer Rato” e “Fora Temer Golpista”. “Não reconhecemos esse governo”, afirmou Eduardo Luiz Zen, um dos organizadores do protesto. “A verdadeira independência é a inclusão de todos.” 

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