Sem discurso e sem telão, público da Cinelândia fica esquecido

Cerca de 500 pessoas ficaram em pé e frustradas na praça, antes cogitada para receber o presidente Barack Obama

Clarissa Thomé e Felipe Werneck, de O Estado de S. Paulo

20 de março de 2011 | 18h12

 RIO - A frustração tomou conta do público que se reuniu na Cinelândia para ver o presidente Barack Obama - seja para homenageá-lo, seja para protestar contra a visita do americano. O aparato de segurança - que incluiu um blindado Urutu do Exército, homens do Batalhão de Choque, e uma guarnição do Regimento de Polícia Montada - acabou servindo de atração para as cerca de 500 pessoas que passaram horas em pé na praça.

 

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Os telões, prometidos pelos organizadores, não foram instalados. E o público nem desconfiava que Obama já havia entrado no Theatro Municipal, quando ele começou a discursar. Muitas pessoas cercaram as tevês de plasma do Amarelinho, tradicional bar da boemia carioca, que esteve ameaçado de fechar, por conta da segurança do presidente.

 

A maquiadora Mara Lima Bezerra, de 53 anos, e o neto Michael Jorge, de 9 anos, garantiram lugar junto à grade que impedia o avanço do público na direção do teatro. Em vão. "Até pouco tempo, nesse teatro não era permitida a entrada de negros. Hoje nós podemos entrar, e temos a honra de receber o primeiro presidente negro dos Estados Unidos. Queria que o meu neto visse esse momento histórico. Infelizmente, ele não apareceu", afirmou, enquanto Michael Jorge filmava com celular os soldados da Polícia do Exército.

 

Manifestantes e sósias de Obama, Roberto Carlos, Pelé e do palhaço Tiririca se misturavam a estrangeiros curiosos e pessoas com fantasias inusitadas, que tentavam chamar atenção. Entre elas, a modelo Claudia Lomeu, com 1,85 metro de altura e 58 quilos. Vestida com biquíni enfeitado por plantas, ela se apresentava como a mulher-bambu. Passou 10 horas em pé. "Eu queria ver o Obama. Como ele não apareceu, aproveitei que estava com meu material para me apresentar", afirmou.

 

Oséias da Conceição Santos, de 38 anos, carregava um cartaz em que definia Obama como "homem da paz". "Acho que errei nessa, porque ele (Obama) mandou atacar a Líbia. Por outro lado, aquele cara (Kadafi) é um maluco", disse.

 

Pela manhã, um grupo de 500 manifestantes, de entidades como MST, PSOL, PSTU e sindicatos, se reuniram na Glória e no Largo do Machado e saíram em passeata em direção à Cinelândia. Gritaram palavras de ordem como "quem foi que disse/que é normal/ roubar nosso pré-sal?".

 

Eles protestaram contra a prisão de 13 manifestantes, num ato em frente ao Consulado Americano, na sexta-feira, contra a ofensiva na Líbia e contra o interessa americano no pré-sal..

 

Na Rua do Passeio, foram impedidos de avançar por uma barreira de 24 cavalos do Regimento de Polícia Montada. Para evitar o embate, decidiram encerrar o ato. Alguns grupos caminharam para a Cinelândia e fizeram manifestações na praça.

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