Sem dinheiro, Jungmann desiste de prefeitura do Recife

'Reconhecemos que não temos jogo de cintura nem interesse de jogar', diz o deputado em nome do PPS e PV

Angela Lacerda, de O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2008 | 17h01

O deputado federal Raul Jungmann (PPS) não é mais candidato a prefeito do Recife pela coligação PPS-PV. "Não temos dinheiro", justificou ele, nesta sexta-feira, 20, em entrevista coletiva, na sede do partido, no bairro do Derby. Até a quarta-feira, os dois partidos, que se mantêm juntos, decidem qual candidato irão apoiar: o ex-governador Mendonça Filho (DEM), o deputado federal Carlos Eduardo Cadoca (PSC) ou o deputado federal Raul Henry (PMDB/PSDB). Os três fazem oposição ao deputado estadual do PT, João da Costa, que é candidato do prefeito João Paulo (PT), do governador Eduardo Campos (PSB) e do presidente Lula, numa aliança com 15 partidos. "Há um jogo pesado que não queremos jogar", afirmou o ex-ministro do Desenvolvimento Agrário no governo Fernando Henrique, ao explicar sua desistência. "Na medida em que as eleições de midiatizaram no País, tornaram-se, em parte, um grande negócio", comentou. Para disputá-las, segundo Jungmann, há duas saídas: ou se nasce em berço de ouro ou então se pode descambar para o jogo dos compromissos que ele chama de "venda do mercado futuro da coisa pública", que pode ser assim expresso: "Você me dá dinheiro hoje e amanhã eu te dou em troca alguma coisa". "Reconhecemos que não temos jogo de cintura nem interesse de jogar esse jogo", afirmou em nome da sua aliança, ao estimar que somente para um item de campanha - o rádio e a televisão - um candidato a prefeito precisa de no mínimo R$ 500 mil a R$ 600 mil. Ele reforçou sua defesa quanto a campanhas patrocinadas por recursos públicos, o que daria maior igualdade de condições aos candidatos. E frisou que as duas legendas - PPS e PV - se propuseram a chegar ao poder, no Recife, através de um "arranjo inovador e contemporâneo" - unindo as bandeiras do meio-ambiente e da igualdade social - com idéias, propostas, tempo na televisão (três minutos) e uma chapa grande de candidato a vereadores - perto de cem. Só não tinham disposição para entrar numa "bolsa de compra e venda - se vender ou se deixar comprar". "A gente tem muita vergonha na cara e por isso não flexibiliza, não muda de posição". Indagado se apoiar um candidato que "está no jogo" não corromperia a aliança, ele disse estar falando em tese - "não indico A, B ou C". Destacou também que a coligação (PPS-PV) não poderia se auto-excluir do jogo eleitoral, até pela responsabilidade com os candidatos a vereador. O apoio a um outro candidato vai passar, segundo ele, por "negociação política". Eu quero saber se vamos poder montar a chapa de vereadores com um mínimo (de recursos e condições) para gráfica e televisão", adiantou.

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