Sem Dilma e Lula, PT faz campanha na TV contra 'ódio' ao partido

Vídeo liga 'quem é contra' inserção social e prisão de corruptos a repúdio ao partido: 'Eles não vão nos impedir', afirma locutor

O Estado de S.Paulo

08 Abril 2015 | 02h01

No mesmo dia em que a presidente Dilma Rousseff disse que as redes sociais "têm sido palco de manifestações de caráter ofensivo e preconceituoso", o PT levou ao ar na TV aberta uma propaganda na qual relaciona o "ódio" ao partido ao fato de a sigla "governar para todos, e não apenas para uns poucos". A peça faz parte das inserções semestrais gratuitas e foi divulgada pela legenda nas redes sociais.

O PT publicou dois vídeos de 30 segundos. Em nenhum deles, há menção ao nome de políticos do partido nem à presidente ou a seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva.

Em uma das peças, o vídeo começa com a imagem de um punho fechado batendo em uma mesa de madeira, com um copo de uísque num lado e uma poltrona de couro ao fundo. O locutor diz: "Tem gente que vê motivos para odiar o PT".

Em seguida, ao dizer que o partido "governa para todos", o narrador cita a inclusão de negros e pobres "nas faculdades, nos aviões, na posse de seus direitos". Depois, sem citar nenhum nome e com imagens de prisões e grades, o locutor afirma: "Colocamos mais gente importante na cadeia por corrupção do que nos outros governos".

"Quem é contra tudo isso acha que pode nos odiar. Mas nós temos motivos de sobra para seguir amando e lutando pelo Brasil. E eles não vão nos impedir", termina o narrador.

O roteiro dessa inserção segue uma linha de discurso adotada pelo menos desde a campanha eleitoral por parte dos dirigentes petistas e por simpatizantes do governo, que veem o PT como alvo de "ódio" de setores da sociedade e da "elite conservadora".

Em outra inserção, o PT também cita a inclusão social e o combate à corrupção ao dizer que o partido "ajudou a reescrever a história do Brasil", mas não menciona o "ódio" à legenda, Nessa peça, o mote é convocar a população a participar do 5.º Congresso da sigla e "reescrever" a história do PT.

"Agora, é hora de reescrever nossa história. Participe do 5.º Congresso Nacional do PT. Vamos para as ruas discutir novas ideias", pede o locutor, em referência ao evento que será realizado em Salvador, em junho.

Pregador. Essa segunda inserção faz menção indireta à crise de imagem enfrentada pelo PT, que perdeu apoio social após a atual crise econômica e os casos de corrupção envolvendo o partido, como o mensalão e os desvios na Petrobrás investigados pela Operação Lava Jato.

Sobre esses escândalos, o ministro da Defesa, Jaques Wagner, disse em Buenos Aires que as denúncias "talvez doam mais no PT" pelo fato de o partido ter surgido "sob a égide da pregação" da ética na política. "O pecado do pecador todo mundo está acostumado. O do pregador todo mundo se assusta."

Para Wagner, esses casos de corrupção são sinal de que "há uma sistema que não estimula a transparência", algo que só seria corrigido com uma reforma política. / JOSÉ ROBERTO CASTRO e RODRIGO CAVALHEIRO

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