'Sem CPMF, País precisaria de um transplante', diz Temporão

O ministro diz que se a prorrogação do tributo não for aprovada, emenda 29 cairá, assim como sistema da Saúde

Fábio Graner e Adriana Fernandes, do Estadão

01 de novembro de 2007 | 16h01

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse nesta quinta-feira, 1, que, se a prorrogação da CPMF não for aprovada, a Emenda 29 cairá, assim como o todo o sistema de saúde. Questionado se a ausência do tributo exigiria uma "intervenção cirúrgica", como disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, Temporão respondeu: "O Brasil precisaria de um transplante múltiplo de órgãos sem a CPMF".  Veja também:    Entenda a cobrança da CPMF  Veja as 9 propostas do governo ao PSDB para prorrogar a CPMF Governo apresenta proposta 'concreta' ao PSDB sobre CPMFMinistros fecham proposta do PSDB para votar CPMF Entenda a Emenda 29  Maioria dos governadores se alinha a Lula em esforço a favor da CPMF Veja os 5 pontos apresentados pelo PSDB para negociar a CPMF  Sobre a discussão de tornar permanente a CPMF, ele disse que é um tema para a reforma tributária e sobre o qual preferia não se manifestar. "Sou o ministro da Saúde, deixo essa discussão tributária para os economistas", disse. Ele disse esperar a construção de acordo para a aprovação da CPMF, embora reconheça que alguns senadores dificilmente mudarão seus posicionamentos contrários à renovação do tributo. As afirmações do ministro da Saúde foram feitas em entrevista coletiva após participar de audiência pública, na Comissão de Justiça do Senado.  Isenção da CPMF Também na CCJ, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse,  nesta quinta-feira, 1,  que a isenção da CPMF, em estudo pelo governo, pode livrar 80% a 90% da população da cobrança do chamado imposto do cheque. Durante audiência na Comisão de Constituição e Justiça, Mantega voltou a defender o tributo e disse que a não aprovação da CPMF representaria uma ameaça para a estabilidade fiscal do País.       "Se tirar a CPMF haverá sim conseqüências.E não é de redução da taxa de juros. A taxa de juros poderá ser elevada, porque ameaçaria esse equilíbrio fiscal que nós alcançamos", afirmou Mantega. Durante esta semana o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, também havia manifestado a mesma preocupação. Segundo o ministro não seria fácil fazer um rearranjo do orçamento, sem a arrecadação da CPMF e o superávit primário estaria ameaçado.  O ministro do planejamento, Paulo Bernardo, que também participou da reunião, defendeu a transformação da CPMF em um tributo permanente, como parte do projeto de reforma tributária que será encaminhado pelo governo ao Congresso Nacional.Na última quarta-feira, Mantega apresentou a líderes do PSDB e da base governista a proposta de insentar da cobrança da CPMF todas as pessoas com renda mensal de até R$ 1.640. Durante a apresentação, o ministro voltou a afirmar que não considera a alíquota da CPMF -atualmente em 0,38% - muito expressiva. "Tanto que a maioria das pessoas não sabe quanto paga de CPMF", justificou.

Tudo o que sabemos sobre:
CPMF

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.