Sem CPMF, Orçamento teria corte de R$ 39 bi

Bernardo alertou parlamentares de que, se não aprovarem a prorrogação do tributo, terão de encontrar uma alternativa, pois proposta já foi enviada

Adriana Fernandes e Rosa Costa, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2001 | 00h00

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou ontem que, se o Congresso não aprovar a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), os parlamentares terão de encontrar um jeito de cortar no Orçamento da União cerca de R$ 39 bilhões das despesas que seriam bancadas com a arrecadação em 2008 do chamado imposto do cheque. Isso porque, segundo o ministro, a proposta do governo de lei orçamentária já foi enviada. "Vamos jogar no campo deles (parlamentares)", disse, numa sinalização clara de que o Congresso terá que achar uma alternativa, caso não aprove a prorrogação da CPMF. A previsão de arrecadação do tributo no ano que vem, segundo Bernardo, será de R$ 39 bilhões. O ministro se declarou convencido de que a crise no Senado, em razão dos processos contra o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), pela suspeita de quebra de decoro parlamentar, não vai atrapalhar a votação do Orçamento. "O Congresso vive democraticamente os debates internos, suas desavenças políticas - às vezes, ideológicas, às vezes, não -, mas temos sempre conseguido aprovar os nossos projetos." E acrescentou: "Evidentemente, vamos ter de fazer um trabalho de diálogo, mas o País precisa ter um Orçamento aprovado." O governo quer também garantir a Desvinculação de Receitas da União (DRU), que permitirá à União movimentar livremente cerca de R$ 88 bilhões em 2008.

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