Sem contar com o PT, presidente da Câmara articula candidatura ao governo do RN

Henrique Eduardo Alves (PMDB) já articula para formação de alianças com partidos adversários de Dilma: o PSB de Eduardo Campos e o PSDB de Aécio Neves

Ricardo Della Coletta e Eduardo Bresciani, O Estado de S. Paulo

17 de março de 2014 | 19h32

Brasília - Enquanto a Câmara vive o ápice de uma crise entre base aliada e o Palácio do Planalto, o presidente da Casa, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), passou a articular nas últimas semanas sua candidatura ao governo do Rio Grande do Norte.

Ele já excluiu o PT da sua chapa majoritária no Estado e trabalha agora para consolidar um acordo com os partidos dos dois adversários de Dilma Rousseff no pleito de outubro: o PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e o PSDB do senador Aécio Neves (MG).

A correligionários, o presidente da Câmara já fala na possibilidade de se lançar ao governo potiguar e o PMDB realiza pesquisas qualitativas com seu nome. "Ele (Henrique Alves) está fazendo pesquisas e já admite essa possibilidade. Mas não tem nada fechado ainda", resume o senador Valdir Raupp (RO), presidente em exercício do PMDB.

O PMDB trabalhava, no Rio Grande do Norte, para lançar o atual ministro da Previdência, Garibaldi Alves, como candidato a governador. Garibaldi já chefiou o Estado, mas não manifestou interesse em brigar pelo cargo, o que aumentou as apostas, dentro da sigla, pelo nome de Henrique Alves.

Para o PMDB, ter um candidato forte ao Executivo é fundamental para puxar votos aos candidatos a deputado federal e, assim, se manter como uma das maiores bancadas da Casa.

Pressões. Questionado, Henrique Alves desconversa, mas diz receber pressões para entrar na disputa potiguar. "Há uma pressão muito forte das bases do partido e também de possíveis aliados, mas ainda estamos conversando", afirma.

Eleito em 2013 para comandar a Câmara, Henrique Alves era tido como candidato certo à reeleição, mas, diante das estimativas de que o PT ampliará a vantagem sobre o PMDB em número de deputados nas próximas eleições, os dois partidos já duelam nos bastidores pelo cargo.

Com a eventual saída de Henrique Alves do páreo, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), líder da sigla na Câmara e em rota de colisão com o Planalto, é visto como o substituto com mais força para enfrentar o PT. "O Eduardo Cunha se coloca como um deputado que tem coragem de fazer o enfrentamento e a defesa da Câmara", resume um peemedebista.

Do lado petista, o vice-presidente da Câmara, André Vargas (PT-PR), busca se viabilizar como alternativa ao PMDB. Tradicionalmente, o partido que faz a maior bancada na Casa costuma indicar o presidente. Desde 2007, porém, PMDB e PT fizeram acordos para um rodízio no cargo, o que viabilizou a eleição de Alves. O acordo, porém, não se estende a 2015.

Exclusão. Henrique Alves vinha montando no Rio Grande do Norte uma grande coalizão de siglas da oposição, em contraposição aos baixíssimos índices de popularidade da governadora Rosalba Ciarlini (DEM).

A ideia inicial era reeditar no Estado a aliança nacional com o PT, mas a diretório local do partido de Dilma não aceitou ter na mesma chapa siglas como o PSDB e o PSB, adversários na disputa nacional.

Os peemedebistas caminham para indicar para a chapa do Senado a ex-governadora Wilma de Faria (PSB). "O Rio Grande do Norte era um dos Estados onde o PT iria apoiar o PMDB", diz a deputada Fátima Bezerra (PT-RN).

"Além de ter excluído o PT, estão fazendo uma grande coalizão acolhendo o PSDB e o DEM". Alijado da aliança estadual, o PT deve compor com o atual vice-governador Robinson Faria (PSD), indicando para o Senado o nome de Fátima Bezerra.

 

 

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