Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Sem consenso para romper com governo, 'bancada da bala' pede volta de pasta da Segurança Pública

Unificação com o Ministério da Justiça havia sido pedido do ex-ministro Sergio Moro

Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2020 | 17h32

BRASÍLIA – A bancada da bala desistiu de romper oficialmente com o governo Jair Bolsonaro, de quem é aliada desde a campanha eleitoral, e passou a trabalhar pelo fatiamento do Ministério da Justiça. O grupo deseja emplacar a recriação do Ministério da Segurança Pública, que havia sido unificado a pedido do ex-ministro Sergio Moro.

Após o pedido de demissão de Moro, na última sexta-feira (24), o presidente da frente parlamentar da Segurança Pública, deputado Capitão Augusto (PL-SP), falou em "luto total" e passou a defender o desembarque do governo. A decisão seria um duro golpe na base de apoio do governo no Congresso Nacional.

Hoje, no entanto, Augusto disse ao Broadcast Político que passou o final de semana em conversas ao telefone com os demais parlamentares integrantes da frente, sem avanço nas tratativas para o rompimento. “Não houve consenso para desembarcar do governo”, afirmou.

Como mostrou o Estado, a demissão de Moro abriu o caminho para o presidente concretizar a ideia de recriar a pasta da Segurança Pública, que passaria a abarcar a Polícia Federal. Uma tentativa de fazer esse movimento no início deste ano, ainda sob a alçada de Moro, foi motivo de atrito entre o agora ex-ministro e o presidente.

A reestruturação da pasta era justamente um dos temas das conversas que Bolsonaro teria com alguns de seus principais auxiliares ao longo do fim de semana.

Amigo de longa data do presidente, o ex-deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF), cotado para assumir a possível pasta, recebeu há pouco mais de um mês a recomendação do presidente para “mergulhar” e esperar “a hora certa” para assumir um posto no governo.

Bancada

No dia da saída de Moro, Augusto disse que as acusações feitas pelo ex-ministro contra Bolsonaro são “gravíssimas”. Moro diz que o presidente tentou interferir politicamente no comando da Polícia Federal e queria acesso a relatórios de inteligência. “Nem na época do PT tínhamos isso aí, não achava que as coisas eram tão mais graves ainda”, afirmou o presidente da bancada na ocasião. "É o começo do fim do mandato dele, infelizmente”, sentenciou.

Com a permanência da aliança, porém, a bancada passou a centrar seu poder de fogo na tentativa de recriação do Ministério da Segurança Pública. No sábado, 25, a frente apresentou um ofício ao presidente Jair Bolsonaro apoiando o desmembramento da pasta.

“A Bancada torna público à sociedade brasileira seu firme pleito, para que o Presidente da República atue pelo resgate do Ministério da Segurança Pública, especialmente pela amplitude e complexidade da Pasta", diz o documento.

"Por fim, este colegiado lhe reitera os votos de estima e consideração, para que com a soma de esforços possamos continuar o resgate da ordem e do progresso no Brasil”, acrescenta o documento endereçado a Bolsonaro.

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