Sem consenso, base e oposição entram em pé de guerra na CPI

Parlamentares governistas não concordaram com distribuição de sub-relatorias para ir ao TCU e quer reunião

Eugênia Lopes, de O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2008 | 20h01

Parlamentares da base aliada e de oposição estão em pé de guerra na CPI Mista dos Cartões Corporativos. Motivo: os governistas não concordam com a distribuição de sub-relatorias feitas pela presidente da comissão, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), e marcaram para a tarde desta quarta-feira, 23, uma reunião extraordinária da CPI. Querem ficar com as relatorias consideradas mais importantes (Sistematização e Fiscalização de Gastos), que acabaram nas mãos da oposição.   Veja também: Entenda a crise dos cartões corporativos   Comissão rejeita convocação de Dilma para explicar dossiê Oposição fura o cerco e Dilma terá de explicar dossiê no Senado Dossiê FHC: o que dizem governo e oposição PF pede a governo dados sobre segurança da Casa Civil PF abre inquérito para apurar vazamento de dados de FHC Dossiê com dados do ex-presidente FHC    "Quando o diálogo não for mais possível, vamos fazer valer a maioria que temos na CPI", ameaçou ontem o relator da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), depois de se reunir com os parlamentares da base aliada para articular uma reação à decisão de Marisa Serrano. Para fazer a reunião extraordinária hoje da CPI e mudar a distribuição das sub-relatorias, os aliados recolheram assinaturas de integrantes da comissão. Ou seja, vão fazer uma reunião à revelia de Marisa Serrano. "Se não for constatado nenhum processo de entendimento, evidentemente vou ignorar os relator setoriais e fazer meu relatório sozinho", afirmou o petista. O deputado Carlos Willian (PTC-MG) já tem pronto requerimento que prevê o fim das sub-relatorias, que foram criadas na semana passada e não começaram a funcionar.   Ao mesmo tempo em que não se entendem sobre a distribuição de relatorias da CPI Mista, parlamentares da base e de oposição começaram nesta terça-feira a vasculhar os documentos sigilosos que estão no Tribunal de Contas da União (TCU). A oposição dedica-se a tentar encontrar gastos indevidos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seus familiares com cartões corporativos. Já a base aliada pediu para o TCU dar acesso a documentos sigilosos da época do governo Fernando Henrique Cardoso com gastos por contas tipo B (o servidor recebe recursos e comprova as despesas por notas fiscais). Segundo governistas, não há praticamente nenhum gasto do governo FHC com cartões corporativos e, por isso, eles querem analisar as contas tipo B.   "O presidente Lula gasta muito pouco. O vinho dele, por exemplo, é muito barato", disse o deputado Carlos Willian, que olhou rapidamente a papelada e concluiu que não há nada de irregular nas contas do presidente Lula. Na documentação secreta em poder do TCU aparecem gastos da Presidência da República com o vinho "Miolo Reserva", com a garrafa a R$ 23,40. Ao todo são 11 processos, que trazem gastos sigilosos de 2002 até 2006. A maioria das despesas tem caráter sigiloso. "Oitenta por cento dos gastos que lá aparecem são perfeitamente publicáveis. Não têm nada de sigiloso", afirmou o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP).

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