Sem consenso, setor não está 'fechado' com o Planalto

CENÁRIO

Alexa Salomão, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2015 | 02h00

Há uma diferença entre apoiar um governo e não querer a queda deste ou de qualquer governo. Essa questão tem vindo à tona no meio empresarial, diante da impressão de que os agentes econômicos estariam "fechados" com a permanência da presidente Dilma Rousseff no cargo. Empresários ouvidos pelo Estado dizem não haver uma única posição no setor, e atribuem essa leitura "equivocada" - como definiu um deles - de apoio ao governo ao manifesto das Federações das Indústrias de São Paulo e do Rio de Janeiro (Fiesp e Firjan) divulgado no começo de agosto.

Para essas fontes, o documento foi "mal interpretado". "O manifesto fala em união a favor do Brasil, mas não discute a permanência ou a saída da presidente", diz um executivo paulista.

Parte da "confusão" é atribuída ao fato de o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, ser do PMDB e ligado ao vice-presidente Michel Temer. "Hoje (ontem), Skaf foi a Brasília com apoio dos empresários paulistas para tratar da questão da desoneração da folha de pagamento. Não estava lá representando a maioria para defender o governo - são duas coisas diferentes", diz um executivo com trânsito na Fiesp.

A ideia de que há um movimento em defesa de Dilma também é alimentada pelo fato de entidades empresariais estarem sensíveis a influências partidárias, principalmente por terem ex-integrantes e representantes ligados ao governo. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) foi presidida por Armando Monteiro, atual ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A titular da Agricultura, Katia Abreu, presidiu a Confederação Nacional da Agricultura (CNA). E Clésio Andrade, presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), é do PMDB. "Ninguém enxerga com clareza o que pode acontecer - seja no governo Dilma, seja sem Dilma, porque não há como saber como e quais alianças políticas vingam com ou sem ela", diz um executivo.

O que mais preocupa os empresários é que a deterioração do ambiente de negócios se acentuou muito além do estimado. As vendas no mercado interno estão caindo e os juros cobrados nos financiamentos, dentro e fora do País, subindo. Com as crises política e econômica se realimentando, os empresários buscam não uma, mas qualquer luz no fim do túnel.

 

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