Reprodução/Twitter
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Sem confusão, nova comitiva brasileira chega à Venezuela

Senadora Vanessa Grazziotin destacou que preocupação é mostrar que Brasil não quer interferir luta política interna do país

Erich Decat - enviado especial, O Estado de S. Paulo

25 Junho 2015 | 01h29

O grupo de senadores integrado pelo PT e outros partidos voltados à esquerda desembarcaram por volta da meia-noite (horário de Brasília), desta quinta-feira em Caracas. Na chegada ao aeroporto de Maiquetia, os parlamentares foram recebidos pelo embaixador brasileiro em Caracas, Rui Pereira, alvo de críticas dos senadores de oposição na malsucedida viagem realizada na última quinta-feira,18. Na ocasião, o grupo de senadores liderados pelo presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG) e pelo senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) não conseguiram deixar o terminal auxiliar do aeroporto, que fica a cerca de 21 km do centro de Caracas. Na agenda deles, estavam programados encontros com opositores ao governo de Nícolas Maduros, que se encontram presos.

"Fundamentalmente não viemos aqui para dar apoio politico a grupos. Vamos conversar com todas as tendencias", afirmou o senador Roberto Requião (PMDB-PR) na saída do aeroporto. Questionado sobre a diferença comitiva anterior liderada pelos tucanos, Requião respondeu: "Não somos Black Blocs para influir num processo eleitoral venezuelano. Nós viemos buscar informações". 

Presente no grupo, a senadora Vanessa Grazziotin (PcdoB-AM) também realçou o que entende como diferença entre as duas comitivas. "Temos uma avaliação de que a primeira comitiva veio com objetivo muito claro de reforçar a oposição [local]. Nós estamos aqui para ouvir todos os lados", afirmou a senadora. "A preocupação é mostrar que o Senado brasileiro não tem objetivo de interferir na luta política interna da Venezuela. Esse é um problema da Venezuela. Nosso objetivo é tão somente dialogar com todos os lados porque é somente o que nos cabe", ressaltou. 

Também fazem parte da nova comitiva o senador senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e Telmário Mota (PDT-RR). 

Na saída do aeroporto, o grupo seguiu acompanhado por batedores da polícia local até o hotel em Caracas. Em razão do horário não havia congestionamento na região. Mas ao contrário do ocorrido na vinda dos senadores opositores, os batedores foram abrindo caminho e impedindo a rota em algumas vias laterais para que o comboio pudesse passar. 

A chegada do grupo de parlamentares brasileiros, ocorre um dia após o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela marcar a data das eleições parlamentares para 6 de dezembro. A definição do calendário era uma das principais reivindicações dos opositores locais. 

O tom que deve ser a tônica dos próximos meses foi dado pelo presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, deputado Diosdado Cabello (PSUV), em discurso realizado nesta quarta-feira em comemoração à Batalha de Carabobo. "A oposição diz ter a data, 6 de dezembro, mas nós temos os votos", disse Cabello que deve receber o grupo de senadores brasileiros na tarde nesta quinta-feira. 

Na agenda dos parlamentares brasileiros também prevista uma visita às Vítimas da Guarimba, às esposas de políticos opositores presos, à representantes da Mesa de la Unidad Democrática (MUD), composta pelos partido de oposição, e ao Ministério Público.

No perfil do Twitter, a deputada venezuelana cassada Maria Corino Machado deu as boas vindas ao grupo de senadores. "Estamos às ordens para transmitir-lhes a informação sobre o estado de Direitos Humanos na Venezuela, autonomia dos poderes e condições eleitorais", tuitou Machado. Ela foi inserida, no dia hoje, na lista da MUD para disputar a próxima eleição parlamentar. "É necessário que na visita à Venezuela, senadores escutem testemunhos de sindicalistas perseguidos, jornalistas censurados e estudantes torturados", ressalta Maria. Ela integrou o grupo de políticos de oposição que recebeu a comitiva de senadores liderada por Aécio Neves (PSDB-MG) e Aloysio Nunes (PSDB-SP), que tentou visitar presos políticos na última quinta-feira em Caracas.

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