André Dusek/AE
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Sem citar nomes, Lula pede à PF fim de pirotecnia nas ações

Declarações de presidente foram feitas um dia após a PF realizar uma operação que atingiu a Camargo Corrêa

Leonencio Nossa, da Agência Estado, e Vannildo Mendes, de O Estado de S. Paulo,

26 de março de 2009 | 16h39

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou da Polícia Federal o fim da pirotecnia nas operações. Em discurso de improviso para uma plateia de agentes federais na sede da instituição, na solenidade de comemoração dos 65 anos da PF, o presidente exigiu sigilo de informações nas investigações. "O papel de vocês é sagrado. Deixem para nós, políticos, aparecerem", afirmou. As declarações de Lula foram feitas um dia após a PF realizar uma operação que atingiu a Camargo Corrêa. A empreiteira é acusada, entre outras coisas, de fazer doações ilegais a políticos. O ministro da Justiça, Tarso Genro, negou nesta quinta conotação política na operação da PF.

 

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"Podem ter certeza de uma coisa: tem gente que acha que seja importante é aparecer na capa de jornal, dar entrevista na televisão, fazer pirotecnia e dar entrevista no rádio", disse, sem citar nomes. "O importante é a gente ser visto com respeito e ser olhado como justo, como quem não tenta tirar proveito da autoridade policial".

 

Lula observou que a Polícia Federal é uma das instituições mais bem avaliadas pelas pesquisas de opinião. Deixou um claro recado que está dando atenção à aprovação da Lei Orgânica da Polícia Federal, que definirá direitos e deveres dos agentes.

  

O presidente também cobrou discrição por parte do Judiciário e do Ministério público. "O Brasil deve se orgulhar do Ministério público que tem, da Polícia Federal que tem". Mesmo em tom de bronca, Lula fez uma brincadeira: "políticos, quando abrem a geladeira, acham que estão dando entrevista para a televisão", afirmou ele comparando a luz da geladeira à iluminação utilizada pelas televisões. "Nem o Judiciário, nem o Ministério Público nem a PF precisam disso. Deixem isso para nós, políticos".

 

Lula não fez citações diretas ao delegado Protógenes Queiroz, que está sendo investigado pela corregedoria da PF por suspeitas de ter grampeado telefones de autoridades durante as investigações da operação Satiagraha, que investigou o grupo de Oportunity, do ex-banqueiro Daniel Dantas.

 

Fez questão de ressaltar que, em seis anos de governo, aumentou o orçamento e o efetivo da Polícia Federal. Disse que o fato de mais casos de corrupção estarem sendo divulgados só mostra um maior empenho do governo e da PF no combate às irregularidades. "Quanto mais vocês trabalharem, mais aparecem denúncias. A corrupção é uma doença que só aparece quando é combatida".

 

Disse ao ministro da justiça, Tarso Genro, que sua responsabilidade dos órgãos subordinados ao Ministério da Justiça , aumentou. "A gente vai tendo mais responsabilidade a partir do momento que nos tornamos mais importantes", disse. Observou ainda que o trabalho da PF ser fiscalizado pela corregedoria da instituição para evitar erros contra os cidadãos. "Nós lidamos com seres humanos. Um erro pode ser irrecuperável".

 

Para mostrar empenho de seu governo no combate ao crime organizado ao tráfico de drogas e a corrupção, Lula disse que só neste ano 40 grande operações foram realizadas pela PF, com a prisão de 462 pessoas. No ano passado, o total de grandes operações, segundo o presidente, chegou a 235 e o número de presos 2.475. Ele também fez questão de ressaltar que desde 2003 92 foram presos 92 delegados federais por cometerem irregularidades.

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