Sem citar MST, Dilma critica invasões de terra

A ex-ministra da Casa Civil Dilma Rousseff, presidenciável do PT, criticou hoje as invasões de terra, a ocupação de prédios públicos e considerou as invasões como "atitudes ilegais". "Sou inteiramente contrária a criar prejuízos aos que não são responsáveis pela política e sou contrária às invasões de terra", destacou ela, sem citar o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem-terra (MST) e cercada por uma plateia eminentemente ruralista que visita a Agrishow, no interior de São Paulo.

GUSTAVO PORTO, Agência Estado

29 de abril de 2010 | 14h12

Na feira agrícola, Dilma pregou também o diálogo com os movimentos sociais e procurou isentar o governo do presidente Lula de qualquer responsabilidade pelas ações desse movimento. "Governo é governo e movimento é movimento. A primeira relação é termos diálogo, mas sou inteiramente contrária à tomada de locais públicos e invasões de terra", frisou Dilma. E continuou, sob aplausos tímidos da plateia: "Não pretendo compactuar com qualquer atitude ilegal que não deve ser premiada, pois estamos todos sob os mesmos princípios legais".

Em rápido discurso, Dilma citou vários programas do governo federal para a concessão de crédito ao setor agrícola, entre eles o Mais Alimentos, destinado aos pequenos agricultores e o PSI (Programa de Sustentação dos Investimentos), criado no ano passado durante a crise financeira global para injetar liquidez no mercado e financiar máquinas e equipamentos agrícolas. A ministra repetiu o que o presidente Lula já vem afirmando, que o nível de crédito no Brasil saiu de R$ 400 bilhões para R$ 1,4 trilhão nos 8 anos de sua gestão e lembrou ainda que no ano passado foram destinados R$ 92,5 bilhões para a agricultura empresarial e mais R$ 15 bilhões para a agricultura familiar, dentro do programa de safra.

A ministra deu sinais de que pretende perenizar algumas políticas temporárias adotadas pela equipe econômica do governo Lula, como a redução do IPI para bens de consumo e o próprio PSI, que está previsto para acabar no final deste ano. Dilma admitiu que o governo não conseguiu fazer a reforma tributária durante os oito anos do presidente Lula, mas prometeu que "a questão deve estar na ordem do dia nos próximos anos".

Inflação

Dilma defendeu a alta nas taxas de juros como forma de combate à inflação. A presidenciável petista afirmou que o governo não vai deixar de atuar no combate à inflação em ano eleitoral.

A ministra criticou os governos anteriores que, segundo ela, "fizeram malabarismos no passado em relação à taxa de juros e ao controle inflacionário". E garantiu: "Nós temos responsabilidade com os trabalhadores, com o povo brasileiro e com a estabilidade dos preços. Isso significa que nós não vamos ser complacentes com a inflação em momento algum. Este compromisso é meu também, com a estabilidade que no Brasil foi conquistada a duras penas".

Dilma frisou que a estabilidade econômica foi uma das grandes demonstrações de responsabilidade do governo Lula. Para ela, se garante o valor do salário dos trabalhadores quando se garante que os preços não subam. "O Brasil está maduro e ninguém vai ganhar as eleições com o malabarismo que já fizeram no passado, quando sabíamos que as coisas estavam ruins e ninguém tomava providência. Não fazemos isso no governo do presidente Lula", disse. Para ela, o aumento na taxa de juros não vai impactar no crescimento previsto para o PIB.

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