Sem citar Kassab, Marta critica transporte e fala em 'crise'

Em evento em SP, ex-ministra do Turismo cutuca atual prefeito, que aproveita para lembrar parceira com Serra

Andréia Sadi e Bianca Pinto Lima, do estadao.com.br, e Carolina Freitas, da Agência Estado,

21 de julho de 2008 | 14h26

Os candidatos à Prefeitura de São Paulo Marta Suplicy, Gilberto Kassab e Geraldo Alckmin participaram nesta segunda-feira, 21, do evento Movimento Nossa São Paulo. Na cerimônia, os candidatos do PT, DEM e PSDB, respectivamente, apresentaram algumas propostas e aproveitaram para criticar ou elogiar outras gestões.  Veja Também:Pesquisa Ibope - São Paulo  Pesquisa Ibope - Recife Pesquisa Ibope - Belo Horizonte  Pesquisa Ibope - Rio de Janeiro  Conheça os candidatos nas principais capitais  Calendário eleitoral das eleições deste ano  Especial tira dúvidas do eleitor sobre as eleições   Veja as regras para as eleições municipais  Sem citar o nome do atual prefeito, a ex-ministra do Turismo fez duras críticas ao transporte público atual e disse que o setor em São Paulo passa por uma "crise". "É preciso combater esta crise com soluções de curto, médio e longo prazo". Nos seus dez minutos de discurso, Marta aproveitou para comentar que, quando foi prefeita, gerenciou a cidade com menos recursos de que dispõe o prefeito. "Governei a cidade com R$ 9 bilhões no orçamento, e hoje o valor é de R$ 24 bilhões", cutucou.  A candidata também criticou a estrutura de gestão da cidade e os empecilhos para o funcionamento dos conselhos de representantes e conselhos gestores. "Os conselhos estão muito impedidos de trabalhar", afirmou. "Os transportes vivem uma situação de crise." O atual prefeito Kassab mostrou-se incomodado, olhou para o lado oposto ao de Marta e coçou o queixo.  Indagada na entrevista, Marta apenas cobrou parceria tanto do presidente quanto do governador. "Espero que o governador Serra assim como o presidente Lula se tornem grandes parceiros se conseguirmos a eleição."  Questionado sobre as menções, Geraldo Alckmin (PSDB), empatado com Marta na liderança nas pesquisas eleitorais, preferiu não polemizar. "Acho que não merece resposta", disse aos jornalistas após o evento. Tucano como Serra, Alckmin disputa a atenção do partido com Kassab, que tem peessedebistas na equipe formada em grande parte pelo governador.  A petista prometeu revisar o Plano Diretor da cidade, recuperar a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), investir em Metrô e corredores de ônibus e intensificar as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, nas favelas de Heliópolis e Paraisópolis. Indiferença Durante a fala de Kassab, Marta demonstrou indiferença. Olhou para cima, para o lado oposto ao dele e cochichou com o candidato do PSOL, Ivan Valente, sentado ao seu lado. "Tem sido muito gratificante ser prefeito de São Paulo", disse Kassab. "Todos juntos podemos construir a cidade de nossos sonhos." Kassab prometeu que, se reeleito, fará com que as crianças fiquem na escola em turno integral e construirá hospitais nas periferias da cidade. Kassab também aproveitou para lembrar que seu governo é uma parceira "conjunta" com o governador de São Paulo, José Serra. "Kassab começou com Serra, é um plano conjunto", disse a assessoria do democrata. Ele fez um balanço do seu governo e apontou suas metas para o próximo mandato, como na saúde e educação. Ele causou embaraço em Alckmin ao elogiar a equipe da atual gestão - herdada de Serra, governador do Estado, e formada majoritariamente por tucanos. "Temos muito orgulho de nossa equipe", disse Kassab. Alckmin, que olhava para a platéia, contraiu os lábios e virou-se para Kassab. Apesar de negar, depois, a intenção de atacar Kassab, Alckmin rebateu em seu discurso: "A campanha precisa acontecer sem aparelhamento partidário ou fisiologismo da máquina pública". O candidato do PSDB disse que quer ser prefeito porque acredita que o posto permite, de forma direta, melhorias na vida das pessoas.  Alckmin prometeu descentralizar o poder, fortalecendo as subprefeituras, diminuir as desigualdades e estimular a participação da população na Prefeitura. O tucano comentou a iniciativa do Movimento Nossa São Paulo e disse que ela servirá de exemplo para o Brasil, já que fará com que o candidato se comprometa com metas e com o debate de alto nível.  Movimento O movimento, que reúne cerca de 500 organizações da sociedade civil em torno de propostas para o desenvolvimento justo e sustentável da cidade em áreas essenciais, encaminhou aos candidatos que pleiteiam a Prefeitura de São Paulo cadernos com 1.500 propostas para melhorar a qualidade de vida dos paulistanos. A intenção do movimento é que os candidatos incorporem as idéias a seus planos de governo. Depois de receberem as propostas, cada um teve dez minutos para discursar. Participaram ainda do evento os candidatos Levy Fidélix (PRTB), Renato Reichmann (PMN, Edmilson Costa (PCB) e Soninha Francine (PPS). Paulo Maluf (PP), Ciro Moura (PTC) e Anaí Caproni (PCO) foram convidados, mas não compareceram. (Com Reuters) Texto atualizado às 16h15

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.