Beto Barata/PR
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Sem citar Dilma, Temer faz apelo contra imagem de que Brasil é 'paiseco'

Presidente diz que política externa tem papel de combater 'dados que não coincidem com o que está na Constituição'

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2017 | 15h20

BRASÍLIA - O presidente Michel Temer usou seu discurso na cerimônia de formatura dos novos diplomatas para rebater críticas que a ex-presidente Dilma Rousseff tem feito ao governo em palestras no exterior. Dilma alega que foi vítima de um golpe para deixar o cargo. Sem citar a antecessora, que está em Washington, Temer destacou que a Constituição é cumprida, ao contrário do que se diz lá fora, como se o Brasil fosse "um paiseco".

"É aí é que a política externa tem papel a desempenhar nessa obra conjunta, que é recuperação do Brasil porque, muitas e muitas vezes, são levados ao exterior dados, fatos, informações que não coincidem com aquilo que está na Constituição Federal e as pessoas lá fora imaginam que esse País é um paiseco, que vai fazendo coisas sem aparo legal, sem amparo e Constituição", afirmou. Temer disse que poucos meses lhe restam de governo, menos de 20 meses, e há "muito o que fazer".

Na fala, de cerca de meia hora, Temer, ao se referir ao "conturbado cenário internacional", disse que ele está "se esgarçando" "a olhos vistos" e que "nós vivemos, na verdade, tempos de incerteza e de instabilidade". Na opinião dele, esses "focos de efervescência geopolítica não dão sinais de ceder".

No discurso, o presidente deu um recado sobre a nova orientação da política internacional de seu governo. Temer afirmou que os diplomatas têm de servir ao Brasil "acima de partidos e ideologia" e que os trabalhos serão conduzidos não por ideologia, "mas pelo interesse do País". O presidente os convocou a praticar uma "política externa universalista, sem preconceitos, que acredite, antes de tudo, na força transformadora do diálogo e do convencimento".

Para ele, é preciso "garantir lugar do Brasil no mundo em mutação". O presidente defendeu um "ativismo lúcido que não se deixa intimidar" e declarou que trabalha pela reativação do Mercosul e pela aproximação com a Aliança com o Pacífico.

"Precisamos de união", disse Temer, que falou que está também impulsionando as negociações econômicas entre o bloco da América do Sul e União Europeia como forma de inaugurar "novas frentes" de negócios.

Investimentos. Em outro trecho do discurso, Temer voltou a criticar os governos petistas, mais uma vez sem citá-los, ao advertir que "avanços" econômicos tinham sido "colocados em xeque". "Depois do Plano Real, já não se toleram flertes com a inflação", avisou ele, ao salientar que o País "está voltando ao rumo" e que está "reconstruindo o caminho do desenvolvimento, com harmonia".

Para ele, "o Brasil tem pressa". Temer pediu aos novos diplomatas que em seus postos lá fora incentivem os demais países a fazer investimentos no Brasil, informando que aqui "estamos caminhando para um sistema de absoluta segurança jurídica".

 

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