Sem Ciro, PT paulista reabre disputa interna

Decisão do deputado de priorizar candidatura presidencial acende movimentação de outros cotados

Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

18 de agosto de 2009 | 00h00

O freio colocado pelo deputado Ciro Gomes (PSB) na articulação para que ele dispute o governo paulista em 2010 reacendeu a disputa pela vaga dentro do PT. Apesar de a possibilidade de Ciro concorrer ao Palácio dos Bandeirantes não ter sido totalmente descartada, outros cotados já retomaram a mobilização para levar a cabeça chapa.Embalado pela provável entrada da senadora Marina Silva (PT-AC) na corrida presidencial pelo PV, Ciro comunicou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que planeja concorrer ao Planalto e não ao governo paulista. O acordo, no entanto, foi deixar a porta aberta para uma mudança de ideia. Ciro se comprometeu a transferir seu título de eleitor para São Paulo, o que lhe permite disputar tanto a corrida presidencial como a eleição estadual. Ainda assim, a notícia de que ele insistirá na candidatura ao Planalto animou, por exemplo, o grupo da ex-prefeita Marta Suplicy. Aliados da petista retomaram, nas conversas de corredor, o discurso de que ela não está fora do páreo. A ordem é garantir que ela esteja em evidência no noticiário, de preferência ao lado da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, candidata à sucessão de Lula.Apesar de bem colocada nas pesquisas petistas e no último levantamento do Datafolha - em que teve 16% -, Marta amarga o desgaste da derrota na última eleição municipal e a alta rejeição no eleitorado paulista. Até seus aliados reconhecem que será mais fácil emplacar uma candidatura ao Senado.A ideia depende da disposição do senador Aloizio Mercadante (SP) em dividir uma chapa para o Senado com outro nome forte. Para resolver o problema, uma ala do PT já investe na tese de que o senador é a melhor opção para encabeçar a chapa ao governo. A avaliação é a de que ele pode desistir de disputar o Senado, se avaliar que sua reeleição corre perigo.Mercadante - que em pesquisas petistas tem 15% dos votos e pouca rejeição - nega que tenha planos de desistir da reeleição. Mas petistas afirmam que ele não esconde a preocupação com o impacto da crise envolvendo o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), em seus planos de se reeleger. Antes favorito do presidente Lula, o deputado Antonio Palocci (SP) também deixa claro internamente que não está fora da disputa. Ainda assim, ele espera uma posição do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a quebra do sigilo do caseiro Francenildo dos Santos Costa. Pesquisas do PT mostram que o eleitorado o associa diretamente ao caso, que lhe custou a cadeira de ministro da Fazenda.Único pré-candidato assumido no PT, o prefeito de Osasco, Emidio de Souza, sinaliza que não vai desistir facilmente e não descarta uma prévia. "Vamos trabalhar por uma candidatura escolhida sem disputa. Mas, se precisar fazer disputa, nós faremos." O líder do partido na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), ainda não descarta Ciro. "A disposição dele em transferir seu título de eleitor é um avanço."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.