Sem candidato do PMDB, partidos preparam corrida ao Planalto

A derrota da candidatura própria do PMDB na convenção nacional deste sábado intensificou a corrida do Palácio do Planalto. O PSDB está articulando o maior número de alianças com o partido nos Estados e já pensa em um eventual segundo turno da eleição presidencial. O ministro de Relações Institucionais, Tarso Genro, se reúne nesta segunda-feira, às 10 horas, com o ex-presidente Itamar Franco, que agora deve disputar o Senado. A idéia é garantir o apoio de Itamar, que ainda tem prestígio eleitoral em Minas, à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.A pedido de Lula, o próprio Tarso Genro ofereceu recentemente ao PMDB a vaga de vice-presidente na chapa presidencial do PT, em conversa com o presidente do partido, deputado Michel Temer (SP). Mas, essa hipótese está agora afastada com o resultado da convenção nacional, que derrubou por 351 contra 303 votos a candidatura própria. PMDBO pré-candidato do PMDB, Anthony Garotinho, reagiu à derrota e ainda aguarda uma decisão judicial, na tentativa de manter seu projeto eleitoral. Temer marcou para 11 de junho a convenção nacional para resolver o assunto. Os parlamentares do PMDB entendem que ela será atropelada pelos próprios acordos estaduais que estão em curso e serão acelerados.O deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) disse que nesta semana já começa a fechar o acordo na Bahia. No plano nacional, apóia o pré-candidato do PSDB, Geraldo Alckmin. Em seu Estado vai subir no palanque do ex-ministro Jaques Wagner, do PT. "Quem estava esperando esse sinal da convenção do PMDB estará agora liberado para os acordos. Isso acontecerá em todos os Estados, afirmou o líder do PFL, senador José Agripino (RN), lembrando que as conversas do PFL e do PSDB com o PMDB nos Estados serão intensificadas.Em Minas Gerais,o ex-presidente Itamar deve apoiar a reeleição do tucano Aécio Neves ao governo estadual. Mas o ex-governador Newton Cardoso, que controla o PMDB, resiste em dar a vaga de candidato ao Senado para Itamar. Diante dessa briga, Aécio Neves poderá fechar a vaga do Senado com o vice-presidente José Alencar. PTO ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia, está fazendo a interlocução entre os dois. Se essa equação der certo, cresce a chance de a vice-presidência da chapa de Lula ficar com o ex-ministro de Integração Nacional Ciro Gomes, do PSB. Ele desembarca em Brasília nesta segunda-feira para conversas políticas no Planalto. Outra prioridade do PT e do PSDB é o quadro em São Paulo, maior colégio eleitoral do País. A disputa entre Michel Temer e o ex-governador Orestes Quércia para a vice do tucano José Serra teria sido, na avaliação de governistas do PMDB, o principal motivo do número expressivo de votos pela candidatura própria na convenção do partido. "Fomos traídos por Quércia", comentou um parlamentar. Ele relatou que, caso decida se candidatar ao Senado, Quércia quer articular o cargo de vice para o deputado Marcelo Barbieri (PMDB-SP). Mas Temer quer o cargo. O PFL também quer ser vice de Serra e entende ser esse o caminho natural.Além de Quércia, os governistas analisam que o grupo mineiro ligado ao ex-ministro da Saúde, Saraiva Felipe, também teria despejado votos em favor da candidatura própria, como também peemedebistas de Goiás, Paraná e Rio Grande do Sul. Para reforçar as negociações com o PMDB, os articuladores da reeleição de Lula e da campanha do pré-candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, têm os mesmos motivos. Tarso Genro já deixou claro que, independentemente do nome do futuro presidente, a aliança com o PMDB é fundamental para a sustentação parlamentar do próximo governo. O principal objetivo do PMDB ao sepultar a candidatura própria foi justamente eleger uma bancada federal expressiva e garantir cacife político para influir no governo e no Congresso a partir de 2007.

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