Sem Campos, candidatura de Lindbergh sofre revés no RJ

A candidatura do petista Lindbergh Farias ao governo do Rio de Janeiro sofre um revés com a ausência do ex-governador Eduardo Campos. Embora não estivesse na rua com Lindbergh, companheiro de partido da presidente Dilma Rousseff, que disputa a reeleição, Campos foi o responsável pela aliança PT-PSB no Estado. Possível substituta do socialista na disputa presidencial, a ex-senadora Marina Silva, líder da Rede Sustentabilidade, não se engajou na campanha de Lindbergh e estava distante da disputa local. A tendência é que mantenha a postura daqui para frente.

LUCIANA NUNES LEAL, Estadão Conteúdo

14 de agosto de 2014 | 18h53

A entrada do PSB na coligação PT-PC do B-PV, que aumentou o tempo de TV de Lindbergh em quase um minuto, foi acertada de última hora, no prazo final das convenções, depois que o pré-candidato do PROS a governador, deputado Miro Teixeira, aliado de Marina Silva, desistiu da disputa. Marina insistiu o quanto pôde na candidatura de Miro e, com a desistência do deputado, a Rede assumiu uma posição de independência. Campos foi o avalista da aliança com Lindbergh.

Além de Marina, outro companheiro de partido que Eduardo Campos teve de convencer a aceitar a aliança regional com o PT foi o deputado Romário (PSB), candidato ao Senado. Crítico ferrenho de Dilma, Romário foi duramente atacado nas redes sociais por admiradores que não aceitaram a aproximação com os petistas. O ex-jogador aumentou as críticas ao governo petista e chegou a dizer que só se estivesse "maluco" apoiaria Dilma.

A pedido de Lindbergh, Romário amenizou os ataques à presidente nas últimas semanas. O candidato ao Senado não tem proximidade com Marina Silva e tende continuar em campanha quase solitária, com raras atividades ao lado de Lindbergh.

Estava prevista para o fim da tarde desta quinta-feira, 14, a viagem de Lindbergh a Recife, para fazer uma visita à família do ex-governador.

"A relação de Lindbergh com Eduardo Campos eram excepcional. Com Marina, não é ruim", diz o presidente do PT, Washington Quaquá. "É cedo para falar do futuro, mas, no Rio, vamos manter com o PSB o plano de ajuda mútua, mas sem muita exposição pública, para não atrapalhar as campanhas nacionais", afirma o dirigente petista.

Outro efeito da uma possível candidatura de Marina Silva, fiel da Assembleia de Deus, à Presidência, será no eleitorado evangélico fluminense. O Estado tem dois candidatos a governador evangélicos, Anthony Garotinho (PR) e Marcelo Crivella (PRB), que fazem campanha para Dilma. Apesar da força dos dois aliados, a presidente pode ter de disputar com Marina eleitores evangélicos de baixa renda que, no Rio, dificilmente votariam em Eduardo Campos.

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