Sem benefício, informais se sentem desprotegidos

Maior receio é de doença que os impeça de trabalhar

O Estadao de S.Paulo

20 de abril de 2008 | 00h00

Orlando Ferreira Silva, 30 anos, e sua mulher, Ângela Helena do Nascimento, são camelôs no centro do Rio e nunca contribuíram para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). De relações anteriores, Orlando tem dois filhos, de oito e de dez anos, e Ângela tem um filho de nove. Eles fazem parte do grande contingente de brasileiros jovens, com filhos, que não contam com a proteção da Previdência Social. Há três anos, Orlando teve de parar de trabalhar um mês após uma cirurgia e, diferentemente do que ocorre com os trabalhadores formalizados, não pôde contar com o auxílio-doença, que garante 90% do salário de benefício (a base para todos os benefícios da Previdência, ligada ao salário de contribuição). "Eu tive que me virar com uma reserva que economizei antes da operação", conta Orlando.Como muitos informais, Orlando e Ângela sentem-se desprotegidos sem a Previdência e têm planos de ingressar no sistema no futuro. Além da aposentadoria, a preocupação deles é com a fatalidade de alguma doença repentina, que os impeça de trabalhar. "Se eu tivesse contribuindo, pelo menos tinha uma garantia", diz Orlando, que se preocupa especialmente com seus dois filhos.Uma situação diferente é a de Maria Paula Tavares, de 80 anos, que mora num conjunto residencial no bairro da Penha, no Rio. Ex-empregada doméstica, Maria Paula tem uma renda de dois salários mínimos, correspondente à pensão do seu falecido marido e à sua própria aposentadoria. Os R$ 830, na verdade, só dão para uma vida muito apertada, mas pelo menos ela consegue pagar uma acompanhante todos os dias da semana (incluindo sábado e domingo) e os remédios que têm de consumir (ela recebe ajuda ocasional de parentes e pessoas próximas)."Eu não passo dificuldades, graças a Deus, mas minha vida é difícil", reclama Maria Paula. A sua situação certamente seria pior, porém, se ela não estivesse entre os 95% da população brasileira de mais de 65 anos que estão integrados à Previdência Social.

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