Dida Sampaio/AE
Dida Sampaio/AE

Sem apoio do Congresso, Dilma insiste e diz que plebiscito é 'imprescindível'

Proposta de consulta popular é uma das principais bandeiras do governo após os protestos, mas enfrenta resistência entre parlamentares

Atualizado às 15h38, Eduardo Cucolo, Laís Alegretti e Rafael Moraes Moura

17 de julho de 2013 | 14h17

Apesar de a Câmara já ter barrado a ideia de um plebiscito sobre a reforma política válida para 2014 e do tema estar longe de um consenso no Congresso, a presidente Dilma Rousseff insistiu nesta quarta-feira, 17, que a consulta popular é "imprescindível" e urgente. A integrantes do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, Dilma afirmou que ouvir a sociedade é uma "resposta efetiva" às manifestações ocorridas no País.

“Tenho recebido da sociedade e visto nas pesquisas que essa questão da consulta popular é imprescindível, como resposta efetiva ao desejo profundo que emanou das manifestações”, disse Dilma.

Um dos cinco pactos apresentados pela presidente durante a onda de protestos do último mês, a proposta de fazer mudanças no sistema eleitoral via plebiscito encontrou resistências entre lideranças da base e da oposição. Nessa terça, a Câmara formalizou a criação de um grupo de trabalho responsável por definir os principais temas da reforma. Reservadamente, alguns deles demonstram dúvidas quanto à aprovação de mudanças amplas no sistema eleitoral. PT e PMDB, principal partido da base, têm se desentendido sobre temas como fim da reeleição e formas de financiamento de campanha. Lideranças da oposição chegaram a afirmar que a proposta de reforma era "manobra" do governo para tirar o foco dos protestos.

Nesta manhã, a presidente disse que o plebiscito também fazia parte das reivindicações vindas das ruas, que cobraram mais valores éticos e maior representatividade. "A gente viu o que era cobrado nas ruas, nos cartazes. Não era cobrado diretamente 'faça um plebiscito', mas um variante disso: mais ética, mais democracia, mais oportunidade de ser ouvido”, afirmou.

Durante seu discurso, a presidente disse ainda que é era seu "dever" traduzir as demandas das ruas em "em ações práticas de governo". “Vamos e estamos trabalhando para implantar os cinco pactos, que são aprimorados e enriquecidos com a contribuição de todos. Tenho segurança de que são indispensáveis ao nosso País nesse momento”, afirmou.

Em entrevista à rádio Estadão nesta terça, o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), coordenador do grupo de trabalho da reforma política, afirmou que um portal será lançado para coletar opinião dos cidadãos sobre quais temas devem ser contemplados nas mudanças e que caberá ao Congresso viabilizar o plebiscito.

"Mais direitos". A exemplo do que disse o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em coluna no New York Times, Dilma afirmou que as manifestações recentes são reflexos das políticas econômicas e sociais adotadas nos últimos dez anos, tempo em que o PT está no governo federal. “Quando criamos grande contingente de cidadãos com melhores condições de vida, mais consciência de seus direitos, vimos surgir um cidadão com novas vontades, anseios, desejos, exigências e demandas”, disse. “Ninguém nesse ultimo mês de várias manifestações pediu a volta ao passado. Pediram sim o avanço pra um futuro de mais direitos”, afirmou.

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