José Cruz/Agência Brasil
José Cruz/Agência Brasil

Sem apoio da oposição, PDT lança Figueiredo candidato a presidente da Câmara

Candidatura do deputado federal André Figueiredo (CE) foi anunciada durante ato na sede da legenda; parlamentar ainda tenta atrair apoio do PT e do PCdoB

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2017 | 14h43

Brasília - O PDT lançou oficialmente nesta terça-feira (17) o deputado federal André Figueiredo (CE) como candidato à presidência da Câmara. Sem apoio declarado dos outros partidos da oposição, o parlamentar cearense ainda tenta, porém, atrair essas legendas, principalmente do PT e do PCdoB.

A candidatura de Figueiredo foi anunciada durante ato na sede da legenda, na capital federal, e faz parte da articulação do partido para pavimentar a candidatura do ex-ministro Ciro Gomes (PDT) à presidência da República em 2018. Ciro, porém, não esteve presente no lançamento, pois está dando palestra em Boston (EUA).

Com uma bancada de apenas 21 deputados, o PDT busca apoio do PT (57), PCdoB (12), Rede (4) e PSOL (6). Figueiredo disse que procurou os líderes e individualmente parlamentares dessas legendas nos últimos dias e que tem "esperança e expectativa" de que esses partidos anunciem apoio à sua candidatura.

"Temos real expectativa de ter o apoio do PT", afirmou Figueiredo, lembrando que o partido deve anunciar sua posição até o fim desta semana. Ele ressaltou que, havendo unidade, os cinco partidos da oposição têm juntos 100 deputados que, aliados a outros parlamentares da base "insatisfeitos", podem levá-lo a um eventual segundo turno.

O deputado do PDT avaliou que, até agora, as resistências que tem encontrado a sua candidatura são "posições individuais". Para Figueiredo, porém, um eventual apoio dos partidos da oposição a candidatos que foram a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff "não deixa de ser contraditório".

"Não gosto de falar na tecla da incoerência, porque acredito que não vá acontecer. Mas não deixa de ser contraditório termos a expectativa de que esses dois partidos (PT e PCdoB), que têm trajetória política de respeito venham a apoiar eventuais candidatos que atentaram contra a democracia no passado recente", disse.

Figueiredo afirmou que, mesmo que esses partidos não o apoiem, dará seguimento a sua candidatura. "Nossa candidatura é irreversível", afirmou. De acordo com o parlamentar cearense, a escolha do nome dele foi "consensual" dentro da direção e da bancada do PDT.

Reforma da previdência. O deputado André Figueiredo afirmou que, se eleito, pautará a discussão da reforma da previdência, mas não aceitará a retirada de direitos adquiridos dos trabalhadores.

"Não admitiremos tirar o direito de quem já não tem nenhum", afirmou em entrevista coletiva, após o lançamento da candidatura. Ele defendeu também que a discussão da reforma seja feita de forma clara e "sem afogadilhos". "Vamos discutir. Não seria votado no primeiro ou no segundo mês", disse.

Para o parlamentar cearense, por exemplo, é um "absurdo" estabelecer idade mínima para se aposentar para pessoas que não tem expectativa de vida compatível com a idade mínima, como exemplo, trabalhadores rurais.

Relação com Temer. Figueiredo afirmou que, apesar de ser da oposição, pretende ter uma relação "respeitosa" com o presidente Michel Temer. "Ele sabe que questiono os métodos como ele chegou à presidência, mas não vamos voltar a bater nessa tecla", disse.

O deputado do PDT lembrou que teve uma boa relação com Temer quando era líder do PDT na Câmara durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Na época, o peemedebista ainda era vice-presidente da República.

Simpatia. Presente no lançamento, o líder do PT na Câmara, deputado Carlos Zarattini (SP), lembrou que o partido ainda está em processo de discussão, mas disse ver com "muito bons olhos" a candidatura de Figueiredo. "Temos extrema simpatia pela candidatura do André", disse. "Queremos o fortalecimento da oposição e, ao mesmo tempo, um fortalecimento da Casa", emendou.

Durante o ato, Zarattini ouviu apelos do presidente do PDT, o ex-ministro Carlos Lupi, para que ajudasse a convencer o PT a apoiar Figueiredo. "Estou apelando a ele que leve esse projeto da candidatura do André a nossos primos-irmãos do PT, para que marchemos juntos nesse momento crucial da vida brasileira", disse.

Negociação. Segundo maior partido da Câmara, o PT, porém, vem priorizando as negociações com os dois principais candidatos da base aliada: o líder do PTB, Jovair Arantes (GO) e o atual presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que tentará a reeleição.

Em reservado, deputados do PT e PCdoB afirmam que a candidatura do pedetista não é viável e que preferem negociar com candidatos com condições de ganhar a disputa e, assim, garantir cargos na Mesa Diretora e em outros espaços da Câmara, como comissões temáticas e relatorias de matérias importantes.

Deputados citam ainda dois focos de resistência. O primeiro é o fato do PDT ter Ciro como candidato em 2018, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também deve disputar. O outro é que o pedetista não seria confiável, pois liderou movimento de independência do partido do governo Dilma, quando era líder da sigla na Câmara.

Nesta terça-feira, 17, PT e PCdoB fazem reuniões de suas bancadas para decidir para que direção vão caminhar na disputa. O PSOL, por sua vez, deve lançar candidatura própria para marcar posição, de acordo com o líder do partido na Câmara, deputado Ivan Valente (SP).

Propostas. Com o slogan "Câmara com Brasil - Para construir a nação que sonhamos, o deputado do PDT já começou a distribuir material de campanha. Uma das propostas, segundo folder de campanha, é fazer alterações nas regras de Medidas Provisórias, para forçar a substituição delas por projetos de Lei do Executivo com urgência constitucional.

Figueiredo deve começar a viajar em campanha nesta semana. De acordo com a assessoria de imprensa do parlamentar cearense, já estão previstas viagens para cidades de Estados da região Norte e Nordeste, entre elas, Macapá (AP), Belém (PA) e São Luís (MA).

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